Casos de leptospirose disparam em Petrópolis (RJ) após desastre natural
04/04/2022 - 00:50

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) alerta para o risco de leptospirose após as fortes chuvas que atingem o Rio de Janeiro: pessoas que tiveram contato com a água ou lama de enchentes e que apresentarem febre associada a dores de cabeça ou a dores musculares devem procurar uma unidade de saúde. O objetivo do alerta é evitar casos graves e óbitos provocados pela doença, que tem sua incidência aumentada após alagamentos. A cidade de Petrópolis, devastada após fortes chuvas em fevereiro, registrou, nos três primeiros meses do ano, 99 casos prováveis da doença. No mesmo período do ano passado, foram 3 notificações.

- É muito importante que a população procure imediatamente um médico caso apresente sintomas compatíveis com a doença. Os serviços de saúde também devem atentar para a inserção da leptospirose na suspeição clínica e diagnóstico diferencial de casos suspeitos de dengue e chikungunya. Historicamente, a notificação de leptospirose aumenta em períodos de chuva - diz o secretário de Estado de Saúde, Alexandre Chieppe.

Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), no período de 2012 a 2021, foi registrada uma média 234 casos prováveis de leptospirose por ano no estado. Em 2011, com a ocorrência de chuvas fortes e enchentes no estado do Rio de Janeiro, foram notificados 704 casos prováveis da doença, com 35 óbitos por esse agravo, o que reforça a importância do alerta da SES.


A leptospirose é uma doença causada pela bactéria Leptospira, que usa alguns animais, principalmente roedores, como hospedeiros. A doença é transmitida para os seres humanos pela exposição direta ou indireta ao xixi desses animais. A bactéria invade o organismo através de pequenas feridas na pele, nas mucosas ou em membros que ficam imersos em água contaminada.

Essa doença infecciosa febril aguda pode se manifestar de forma branda, mas há pacientes que evoluem para formas graves. A fase precoce dura aproximadamente de 3 a 7 dias e, geralmente, caracteriza-se pelo aparecimento repentino de febre, acompanhada de dor de cabeça, dor muscular, anorexia, náuseas e vômitos, o que dificulta o diagnóstico diferencial de outras doenças febris agudas como dengue, por exemplo. Na fase tardia da doença, o paciente poderá apresentar icterícia (a cor da pele fica amarelada), insuficiência renal e hemorragia, mais comumente pulmonar.

Cuidados preventivos com a leptospirose:

*Evite o contato com água ou lama de enchentes ou esgotos. Impeça que crianças nadem ou brinquem nesses locais, que podem estar contaminados pela urina dos ratos.

*Após a água baixar, para retirar a lama e desinfetar o local proteja-se com botas e luvas de borracha, evitando assim o contato da pele com água e lama contaminadas. Sacos plásticos duplos também podem ser amarrados nas mãos e nos pés.

*Para desinfectar a área atingida pela lama ou água da enchente, lave pisos, paredes e bancadas com água sanitária, na proporção de 2 xícaras de chá (400ml) desse produto para um balde de 20 litros de água, deixando agir por 15 minutos.

*Tenha cuidado com os alimentos que tiveram contato com água de enchente. Alguns devem ser jogados fora, outros precisam de tratamento especial nestas situações.

*Mantenha os terrenos baldios e as margens de córregos limpos e capinados. Evite entulhos e acúmulo de objetos nos quintais e nas telhas.

*Limpe a caixa d’água regularmente.

 

Fonte: https://www.saude.rj.gov.br/noticias/2022/04/casos-de-leptospirose-disparam-em-petropolis-apos-desastre-natural

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