Sarampo - Atualização Américas 29/05/2026 - 14:44
Resumo em nível global
De acordo com os dados mensais da vigilância do sarampo e da rubéola, publicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 1º de janeiro a 13 de maio de 2026 foram notificados 184.489 casos de sarampo em 155 Estados-Membros das seis regiões da OMS, dos quais 100.239 (54,3%) foram confirmados. Dos casos, 29% foram registrados na Região da OMS do Sudeste Asiático, seguida pela Região da OMS do Mediterrâneo Oriental, com 21% dos casos, e pelas Regiões da OMS da África e das Américas, com 19% dos casos cada (figura 1).
Figura 1. Distribuição de casos de sarampo por mês e região da OMS, 2026.
Resumo da situação na Região das Américas
Em 2026, entre a SE 1 e a SE 20, na Região das Américas, foram confirmados 20.521 casos de sarampo, incluindo 25 óbitos. Os casos foram notificados pela Argentina (n= 1 caso), Belize (n= 9 casos), Bolívia (Estado Plurinacional da) (n= 70 casos), Bonaire (n= 1 caso), Brasil (n= 3 casos), Canadá (n= 1.018 casos), Chile (n= 1 caso), Colômbia (n= 1 caso), Costa Rica (n= 5 casos), El Salvador (n= 18 casos), Estados Unidos da América (n= 1.952 casos), Guatemala (n= 6.209 casos, incluindo 12 mortes), Honduras (n= 1 caso), México (n= 10.920 casos, incluindo 13 óbitos), Panamá (n= 3 casos), Peru (n= 301 casos) e Uruguai (n= 2 casos) (Tabela 1). Esse total representa um aumento de quatro vezes em comparação com os 5.123 casos de sarampo notificados em 2025 para o mesmo período. Em comparação com o histórico de sarampo na Região, o número de casos confirmados de sarampo nos anos de 2025 e 2026 é o mais alto desde 2019, sendo este o ano com o maior número de casos confirmados nos últimos 22 anos (n= 23.269) (Figura 2).
Em 2025, na Região das Américas, foram confirmados 15.152 casos de sarampo, incluindo 29 óbitos, dos quais 73% (n= 22) ocorreram na população indígena. Os casos foram notificados pela Argentina (n= 36 casos), Belize (n= 44 casos), Bolívia (n= 598 casos), Brasil (n= 38 casos), Canadá (n= 5.461 casos, incluindo duas mortes), Chile (n= 1 caso), Costa Rica (n= 1 caso), El Salvador (n= 1 caso), Estados Unidos da América (n= 2.288 casos, incluindo três óbitos), Guatemala (n= 9 casos), México (n= 6.608 casos, incluindo 24 óbitos), Paraguai (n= 49 casos), Peru (n= 5 casos) e Uruguai (n= 13 casos) (Tabela 1) (Figura 3).
Tabela 1. Número de casos de sarampo por países e territórios da Região das Américas em 2025 e 2026 (até a 20ª semana de 2026).
Fonte: Adaptado de dados fornecidos pelos respectivos países
Figura 2. Casos confirmados de sarampo por ano na Região das Américas, 2004-2026.
Fonte: Adaptado da Organização Pan-Americana da Saúde / Organização Mundial da Saúde.
Número de casos de doenças preveníveis por vacinação (DPV) nas Américas e Boletim Semanal sobre Sarampo/Rubéola
Figura 3. Casos confirmados* de sarampo por semana epidemiológica de início do exantema e por país ou território na Região das Américas, 2025-2026 (até a SE 20 de 2026).
*Nota: Inclui casos confirmados e prováveis para o Canadá.
Fonte: Adaptado de dados fornecidos pelos respectivos países
De acordo com as informações disponíveis no Banco de dados sobre imunização e relatórios de vigilância dos países enviados à OPAS, entre os casos confirmados em 2026 com dados disponíveis (n= 18.490), o grupo de 20 a 29 anos concentra a maior proporção de casos (24%), seguido pelo grupo de 10 a 19 anos (20%) e pelo de 30 a 39 anos (16%). No entanto, a taxa de incidência apresenta uma relação inversa com a idade, sendo mais elevada em menores de um ano (9,7 casos por 100.000 habitantes), seguida pela faixa etária de 1 a 4 anos (4,1 casos por 100.000 habitantes) e pela de 5 a 9 anos (3,0 casos por 100.000 habitantes). As taxas permanecem acima de um caso por 100.000 habitantes até a faixa etária de 30 a 39 anos (Figura 4). Em relação ao histórico de vacinação, 45% dos casos não estavam vacinados e, em 45%, a informação era desconhecida ou não estava disponível. De acordo com a classificação por fonte de infecção, 6% dos casos foram endêmicos, 23% associados à importação, 36% de fonte de infecção desconhecida e 2% foram classificados como casos importados (Figura 4).
Dos casos confirmados durante 2026, foram reportadas ao MeaNS (Measles Nucleotide Surveillance database) 560 sequências genéticas da região N-450 do vírus do sarampo, 97,2% (n= 554) corresponderam ao genótipo D8 e 2,8% (n= 16) ao genótipo B3. Entre as detecções do genótipo D8, em 90,4% (n= 501), foi identificada a sequência distinta (DSId) 9171.
Figura 4. Distribuição percentual dos casos confirmados de sarampo por faixa etária, sexo, estado vacinal e fonte de infecção na Região das Américas até a semana epidemiológica 20 de 2026.
Fonte: Adaptado da Organização Pan-Americana da Saúde. Banco de dados sobre imunização e relatórios de vigilância dos países enviados à OPAS.
Imunização Integral. Washington, D.C.: OPAS; 2026 [acessado em 27 de maio de 2026].
Situação epidemiológica do sarampo por país na Região das Américas
A seguir, apresenta-se um resumo da situação epidemiológica do sarampo nos países e em um território da Região, em ordem alfabética, que notificaram casos confirmados nas Américas em 2026.
Na Argentina, em 2026, na SE 6, foi notificado um caso importado de sarampo; o caso correspondia a um adulto de 29 anos, residente na Cidade de Buenos Aires, com histórico de viagem às Filipinas e contato com um caso de sarampo em um voo internacional. Apresentou início de sintomas e exantema em 9 de fevereiro, procurou os serviços de saúde em 10 de fevereiro e foram coletadas amostras para diagnóstico. O Laboratório Nacional de Referência detectou o vírus do sarampo na amostra de urina por meio da técnica de rt-PCR; de acordo com os estudos moleculares, foi identificado o genótipo D8. O caso apresentava histórico de vacinação com a vacina tríplice viral documentada na infância. Não foram detectados casos secundários relacionados a essa importação. Durante 2025, a cobertura vacinal com a vacina tríplice viral em nível nacional atingiu 82,1% para a primeira dose e 46,4% para a segunda dose.
Em Belize, no período de 2026 até a semana epidemiológica 20, foram confirmados um total de nove casos de sarampo. Os casos confirmados foram identificados nos distritos de Toledo (n= 8 casos) e Cayo (n= 1 caso) e foram confirmados por meio de testes laboratoriais RT-PCR; as amostras foram processadas no laboratório de referência da Agência de Saúde Pública do Caribe (CARPHA). Do total de casos confirmados, seis foram importados, dois relacionados à importação e um com fonte de exposição sob investigação. Os casos importados relataram histórico de viagem ou permanência na Guatemala antes do início dos sintomas. Os casos distribuíram-se em uma faixa etária de 8 meses a 54 anos. Quanto ao histórico de vacinação contra o sarampo, a totalidade dos casos não estava vacinada ou apresentava histórico de vacinação desconhecido no momento do diagnóstico.
Na Bolívia, entre a SE 1 e a SE 20 de 2026, foram confirmados 70 casos de sarampo. Os casos confirmados foram notificados nos departamentos de Beni (n= 8 casos), Cochabamba (n= 7 casos), Chuquisaca (n= 2 casos), La Paz (n= 1 caso), Santa Cruz (n= 49 casos) e Tarija (n= 3 casos). Os casos se distribuem em uma faixa etária de 0 meses a 65 anos; 29% (n= 20 casos) correspondem a crianças menores de 1 ano, 20% (n= 14 casos) a pessoas entre 1 e 4 anos, 19% (n= 14 casos) a pessoas entre 5 e 9 anos, 10% (n= 7 casos) a pessoas de 10 a 14 anos; 6% (n= 4 casos) entre 15 e 19 anos e 14% (n= 11 casos) a adultos com 20 anos ou mais. A taxa de incidência por faixa etária mostra que o grupo mais afetado é o de menores de 1 ano (58 casos por 100.000 habitantes), seguido pelo grupo de 1 a 4 anos (19 casos por 100.000 habitantes). Em relação ao estado vacinal, 82% do total de casos confirmados não apresentavam histórico documentado de vacinação contra o sarampo. De acordo com a genotipagem realizada nas amostras provenientes de 20 casos confirmados, foram identificados os genótipos B3 e D8. Durante todo o surto (2025-2026), 33 casos necessitaram de hospitalização. Durante 2025, a cobertura vacinal com vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (SCR) em nível nacional atingiu 84% para a primeira dose e 75% para a segunda dose.
Em Bonaire, durante a semana epidemiológica 5, foi notificado um caso importado de sarampo. O caso foi registrado em Kralendijk e tratava-se de um marinheiro de um navio de carga que chegou a Bonaire em 1º de fevereiro de 2026 e passou por Aruba entre 28 e 29 de janeiro de 2026, após partir de um país do Sudeste Asiático. O caso apresentou exantema em 30 de janeiro de 2026 e foi confirmado por RT-PCR em 2 de fevereiro de 2026 pelo Laboratório Fundashon Mariadal, em Kralendijk, Bonaire. Não foram relatados casos secundários. Durante 2024, o último ano para o qual há dados disponíveis, a cobertura vacinal contra o sarampo em Bonaire atingiu 86,5% entre crianças de 2 anos para a primeira dose e 42,5% entre crianças de 10 anos para a segunda dose.
No Brasil, entre a SE 1 e a SE 20 de 2026, foram confirmados três casos de sarampo: dois casos importados no estado de São Paulo e um caso de origem desconhecida no estado do Rio de Janeiro. Os casos correspondem a uma menina de 6 meses, residente em São Paulo, com histórico de viagem à Bolívia; uma jovem de 22 anos, residente no Rio de Janeiro, sem histórico de viagens internacionais; e um homem de 42 anos, residente na Guatemala, que viajou para São Paulo, onde foi diagnosticado com sarampo. Durante 2025, a cobertura vacinal com SCR em nível nacional atingiu 92,8% para a primeira dose e 77,2% para a segunda dose.
No Canadá, entre a 1ª e a 18ª semana epidemiológica de 2026, foram notificados 1.018 casos de sarampo (941 confirmados e 77 prováveis), em sete províncias: Alberta (n= 302 casos), Colúmbia Britânica (n= 30 casos), Manitoba (n= 630 casos), Nova Escócia (n= 10 casos), Ontário (n= 24 casos), Quebec (n= 17 casos) e Saskatchewan (n= 5 casos). Em 2026, o número de casos semanais atingiu um pico de 90 casos na semana epidemiológica 5 de 2026, apresentando uma diminuição gradual desde então. Dos 1.018 casos notificados em 2026, 97% (n= 987 casos) foram expostos no Canadá, 2% (n= 23 casos) corresponderam a casos importados e menos de 1% (n= 8 casos) tiveram uma fonte de exposição desconhecida ou em investigação. Dos casos, 41% correspondem a pessoas entre 5 e 17 anos, seguidos por 37% em pessoas com 18 anos ou mais e 14% em crianças entre 1 e 4 anos. Quanto ao histórico de vacinação, 87% não estavam vacinados, 5% haviam recebido uma dose de uma vacina que contém sarampo, 5% haviam recebido duas ou mais doses de uma vacina que contém sarampo e 4% tinham um estado de vacinação desconhecido. Dos casos, 6% foram hospitalizados (n= 65 casos), e foram notificados quatro casos confirmados de sarampo congênito. Entre os casos confirmados com informações de genotipagem disponíveis, identificou-se o genótipo D8 em 457 casos e o genótipo B3 em 10 casos.
Desde 2024, um total de 5.873 casos confirmados e 484 casos prováveis foram associados a um surto multijurisdicional no Canadá, que continua ativo. A maioria dos casos associados ao surto não estava vacinada ou tinha histórico de vacinação desconhecido (93%) e residia em comunidades interligadas com baixa cobertura vacinal.
No Chile, na SE 5 de 2026, foi notificado um caso confirmado importado de sarampo identificado na Região de Atacama. Trata-se de um bebê de 11 meses, do sexo masculino, que entrou no país em 21 de janeiro de 2026 vindo do México. O caso não apresentava registros de vacinação programática por idade nem de vacinação para viajantes. O caso apresentou exantema em 28 de janeiro de 2026 e foi confirmado por sorologia e RT-PCR em 5 de fevereiro de 2026 pelo Instituto de Saúde Pública do Chile. Não foram registrados casos secundários relacionados a este caso. Durante 2025, a cobertura vacinal com SCR em nível nacional atingiu 94,8% para a primeira dose e 78,2% para a segunda dose.
Na Colômbia, entre a SE 1 e a SE 19 de 2026, foram confirmados sete casos de sarampo no país. Do total de casos, cinco correspondem a casos importados e dois com fonte de infecção sob investigação. Os casos confirmados foram notificados em Bogotá D.C. (n= 4 casos), nos departamentos de Antioquia (n= 1 caso) e Santander (n= 1 caso) e no distrito de Cartagena (n= 1 caso). Quatro dos casos tinham histórico de viagem ao México e um aos Estados Unidos. Os casos estão distribuídos entre 18 e 35 anos. Quanto ao histórico de vacinação dos casos, quatro apresentavam histórico de vacinação desconhecido e três apresentavam histórico de vacinação contra o sarampo. Em relação à genotipagem, de acordo com a análise realizada nas amostras de quatro dos casos, o genótipo identificado corresponde ao D8. Durante 2025, a cobertura vacinal com SCR em nível nacional atingiu 91% para a primeira dose e 86% para a segunda dose.
Na Costa Rica, entre a SE 1 e a SE 20 de 2026, foram confirmados cinco casos de sarampo no país. Do total de casos, três correspondem a casos importados e dois relacionados à importação. Os casos confirmados foram notificados nas províncias de San José (n= 3 casos), Limón (n= 1 caso) e Guanacaste (n= 1 caso) (13). Um dos casos tinha histórico de viagem à Guatemala, dois tinham histórico de viagem ao México e dois tinham histórico de participação em um evento de grande porte com a presença de pessoas provenientes de países com surtos ativos de sarampo. Os casos estão distribuídos entre 4 e 41 anos. Quanto ao histórico de vacinação dos casos, dois apresentavam histórico de vacinação desconhecido, um não apresentava histórico de vacinação e dois registravam histórico de vacinação com duas doses contra o sarampo. Em relação à genotipagem, de acordo com a análise realizada nas amostras dos cinco casos, o genótipo identificado corresponde ao D8. Durante 2025, a cobertura vacinal com SCR em nível nacional atingiu 97,67% para a primeira dose e 91,69% para a segunda dose.
Em El Salvador, entre a SE 1 e a SE 20 de 2026, foram confirmados 18 casos de sarampo no país. Todos os casos foram importados. Treze dos casos tinham histórico de viagem à Guatemala e um tinha histórico de viagem ao México. A maioria dos casos está na faixa etária entre 20 e 40 anos. Quanto ao histórico de vacinação, 44% não estavam vacinados, 17% haviam recebido duas ou mais doses de uma vacina que contém sarampo e 39% tinham um estado de vacinação desconhecido. Durante 2025, a cobertura vacinal com SCR em nível nacional atingiu mais de 95% para a primeira dose e mais de 95% para a segunda dose.
Nos Estados Unidos, entre a 1ª e a 20ª semana epidemiológica de 2026, foram notificados 1.952 casos confirmados de sarampo. Desses, 1.943 casos de sarampo foram notificados por 40 jurisdições: Alasca (n= 1 caso), Arizona (n= 83 casos), Califórnia (n= 47 casos), Colorado (n= 22 casos), Distrito de Columbia (n= 1 caso), Flórida (n= 138 casos), Geórgia (n= 5 casos), Idaho (n= 2 casos), Illinois (n= 4 casos), Kansas (n= 1 caso), Kentucky (n= 4 casos), Louisiana (n= 1 caso), Maine (n= 5 casos), Maryland (n= 3 casos), Massachusetts (n= 2 casos), Michigan (n= 13 casos), Minnesota (n= 17 casos), Missouri (n= 1 caso), Montana (n= 5 casos), Nebraska (n= 1 caso), Nova Jersey (n= 1 caso), Novo México (n= 16 casos), Cidade de Nova York (n= 5 casos), Estado de Nova York (n= 5 casos), Carolina do Norte (n= 22 casos), Dakota do Norte (n= 38 casos), Ohio (n= 11 casos), Oklahoma (n= 1 caso), Oregon (n= 23 casos), Pensilvânia (n= 32 casos), Rhode Island (n= 1 caso), Carolina do Sul (n= 669 casos), Dakota do Sul (n= 8 casos), Texas (n= 182 casos), Utah (n= 482 casos), Vermont (n= 1 caso), Virgínia (n= 43 casos), Washington (n= 44 casos), Wisconsin (n= 2 casos) e Wyoming (n= 1 caso). Foram notificados um total de nove casos de sarampo entre visitantes internacionais nos Estados Unidos.
Do total de casos, 93% (n= 1.815) estavam associados a surtos (definidos como três ou mais casos), tendo sido identificados 29 surtos durante o ano de 2026. 21% (n= 413) dos casos corresponderam a crianças menores de 5 anos, 51% (n= 990) a pessoas entre 5 e 19 anos, 28% (n= 543) a pessoas com mais de 20 anos e menos de 1% (n= 6) a pessoas de idade desconhecida. A taxa de incidência por faixa etária mostra que o grupo mais afetado foi o de crianças de 1 a menos de 5 anos (2,27 por 100.000 habitantes), seguido pelo grupo de menores de um ano (1,99 casos por 100.000 habitantes).
Quanto ao histórico de vacinação dos casos, 92% não estavam vacinados ou tinham histórico de vacinação desconhecido, 4% haviam recebido uma única dose da vacina tríplice viral (SCR) e 4% haviam recebido duas doses. Entre os casos confirmados vacinados, 9% correspondiam a crianças menores de 5 anos, 36% a pessoas entre 5 e 19 anos e 55% a adultos com mais de 20 anos. 6% (n= 124) dos casos exigiram hospitalização; 34% (n= 42 casos) das hospitalizações corresponderam a crianças menores de 5 anos.
Durante o ano de 2026, das 687 amostras positivas para rRT-PCR de casos confirmados de sarampo que foram submetidas à genotipagem até o momento, 97% (n= 667) corresponderam ao genótipo D8 e 3% (n= 20) ao genótipo B3. Entre as detecções do genótipo D8, a maioria, 92% (n= 614), foi identificada como a sequência distintiva (DSId) 9171. A cobertura vacinal com a vacina tríplice viral (SCR) em crianças diminuiu nos últimos anos, passando de 95,2% durante o ano letivo de 2019–2020 para 92,5% durante o ano letivo de 2024–2025.
Na Guatemala, entre a SE 1 e a SE 19 de 2026, foram notificados 6.209 casos confirmados de sarampo, incluindo 12 óbitos. Os casos foram notificados nos 22 departamentos do país. A maioria dos casos confirmados foi registrada nos departamentos de Guatemala (n= 2.936 casos, incluindo quatro óbitos), Quiché (n= 412 casos, incluindo quatro óbitos), Sololá (n= 355 casos, incluindo duas mortes), Totonicapán (n= 299 casos, incluindo duas mortes), Chimaltenango (n= 297 casos) e Huehuetenango (n= 288 casos).
No que diz respeito à faixa etária dos casos confirmados em 2026, a distribuição mais frequente se concentra na faixa de 20 a 29 anos, com 35% (2.157 casos), seguido pelo grupo de 0 a 4 anos, com 24% (1.476 casos, com predominância de menores de 1 ano, nos quais foram registrados 838 casos), e pelo de 10 a 19 anos, com 11% (1.040 casos). A taxa de incidência por faixa etária mostra que a mais afetada é a de 0 a 4 anos, na qual crianças menores de 1 ano registram 224 casos por 100.000 habitantes, seguida pela faixa etária de 20 a 29 anos, com 35 casos por 100.000 habitantes. Quanto ao histórico de vacinação dos 6.209 casos confirmados, 68,4% (n= 4.246) não estavam vacinados, 24,4% (n= 1.515) tinham histórico de vacinação desconhecido (referência verbal ou desconhecido) e 4,37% (n= 271 casos) apresentavam doses de SCR documentadas. 7,52% dos casos necessitaram de hospitalização (n= 466 casos) e foram confirmadas 12 mortes relacionadas. De acordo com a genotipagem realizada no Laboratório Nacional de Saúde em amostras de casos confirmados (n= 39), foi identificado exclusivamente o genótipo D8. Com relação às 12 mortes registradas por complicações do sarampo, 75% das mortes correspondem a crianças menores de um ano. O país, em 2025, atingiu uma cobertura vacinal de SCR de 91% em nível nacional para a primeira dose e de 79% para a segunda dose.
Em Honduras, na semana epidemiológica 20 de 2026, foi confirmado um caso importado de sarampo, notificado no departamento de Ocotepeque. O caso corresponde a um homem de 40 anos que entrou no país vindo da Guatemala em 19 de maio de 2026 e apresentou exantema em 17 de maio de 2026. Em 21 de maio de 2026, o caso foi confirmado por RT-PCR e testes sorológicos para sarampo; o caso não apresenta histórico de vacinação e, até a data desta publicação, não foram registrados casos secundários associados. Durante 2025, a cobertura vacinal com SCR em nível nacional atingiu 86,7% para a primeira dose e 84,4% para a segunda dose.
No México, entre a SE 1 e a SE 19 de 2026, foram confirmados 10.920 casos de sarampo, incluindo 13 óbitos. Os casos foram notificados em 31 entidades federativas do país; a maioria dos casos confirmados foi notificada nos estados de Jalisco (n= 6.162 casos, incluindo três óbitos), Cidade do México (n= 943 casos, incluindo duas mortes), Chiapas (n= 809 casos), Sonora (n= 342 casos), Durango (n= 323 casos, incluindo uma morte), México (n= 323 casos) e Sinaloa (n= 283 casos, incluindo uma morte). Quanto à distribuição por faixa etária, os casos confirmados se distribuem com maior frequência na faixa de 30 a 34 anos (12,23%, n= 1.336 casos), seguido pela faixa etária de 5 a 9 anos, com 11,62% (n= 1.269 casos), e pela faixa de 25 a 29 anos, com 11,59% (n= 1.266 casos). Quanto à taxa de incidência, a faixa etária de menores de um ano registrou a taxa mais elevada, com 44,67 casos por 100.000 habitantes, seguida pela faixa de 1 a 4 anos e de 30 a 34 anos, com taxas de 14,81 e 12,48, respectivamente. Quanto ao histórico de vacinação dos casos confirmados, 91,47% (n= 9.989) não apresentavam histórico de vacinação, 6,13% (n= 669) tinham uma dose de SCR e 2,40% (n= 262 casos) apresentavam duas ou mais doses de SCR documentadas na carteira nacional de vacinação. Do total de casos confirmados, 1.247 necessitaram de hospitalização, dos quais 547 são provenientes do estado de Jalisco. De acordo com a genotipagem realizada nas amostras provenientes dos casos confirmados (n= 42), foi identificado o genótipo D8.
Em 2026 e até a semana epidemiológica 19, foram confirmadas 13 mortes por complicações do sarampo, todas em pessoas sem histórico de vacinação, com comorbidades em alguns casos. As mortes estão distribuídas entre Jalisco (n= 3), Zacatecas (n= 3), Cidade do México (n= 2), Michoacán (n= 1), Guerrero (n= 1), Durango (n= 1), Sinaloa (n= 1) e Tlaxcala (n= 1).
No Panamá, entre a SE 1 e a SE 20 de 2026, foram confirmados três casos de sarampo: dois casos importados e um caso derivado de importação. Todos os casos confirmados foram notificados na província do Panamá (n= 3 casos). Os casos importados, de 18 e 21 anos, eram originários da Nicarágua e da Costa Rica. O terceiro caso, de 40 anos, teve exposição prolongada no ambiente de trabalho a um dos casos confirmados. Os dois casos importados não tinham histórico de vacinação contra o sarampo; por outro lado, o caso derivado de importação tem três doses documentadas pré-exposição e uma pós-exposição (oito dias após a exposição). Nos três casos, foi identificado o genótipo B3. Durante 2025, a cobertura vacinal com SCR em nível nacional atingiu 86,7% para a primeira dose e 58,4% para a segunda dose.
No Peru, entre a SE 1 e a SE 20 de 2026, foram confirmados 301 casos de sarampo em dois departamentos. Os casos concentram-se no departamento de Puno (n= 299 casos); outros casos foram detectados no departamento de Lima (n= 2 casos, um caso importado e um caso de origem desconhecida). Quanto à distribuição dos casos por faixas etárias, 37% correspondem à faixa de 10 a 19 anos (n= 112 casos), seguida pela faixa de 20 a 29 anos com 30% (n= 91 casos) e pela faixa de 5 a 9 anos com 15% (n= 44 casos). Quanto à taxa de incidência, a faixa etária de 10 a 19 anos registrou a mais elevada, com 2,03 casos por 100.000 habitantes, seguida pela faixa de 20 a 29 anos e de 0 a 4 anos, com taxas de 1,73 e 1,38, respectivamente.
Quanto ao histórico de vacinação dos casos confirmados, 66% (n= 199 casos) não apresentavam histórico de vacinação, 4% (n= 12) tinham recebido uma dose de SCR e 25% (n= 76 casos) tinham recebido duas ou mais doses de SCR. Do total de casos confirmados, 37 necessitaram de hospitalização. De acordo com a genotipagem realizada em 11 amostras dos casos confirmados, foram identificados os genótipos D8 e B3. No Peru, em 2025, atingiu-se uma cobertura vacinal para o SCR de 90,5% em nível nacional para a primeira dose e de 82,1% para a segunda dose.
No Uruguai, entre a SE 1 e a SE 20 de 2026, foram confirmados dois casos importados de sarampo, ambos na capital do país, Montevidéu. Os casos tinham idades de 48 e 51 anos. Quanto ao histórico de vacinação, um dos casos não estava vacinado e o outro tinha recebido duas doses da vacina SCR. Os casos não necessitaram de hospitalização. Durante 2025, a cobertura vacinal com SCR em nível nacional atingiu 97,92% para a primeira dose e 87,99% para a segunda dose.
Eventos de grande porte e viajantes internacionais
Em relação a eventos de grande porte e viajantes internacionais na Região das Américas, considere as seguintes recomendações:
• Fortalecimento da vigilância epidemiológica e da vacinação.
A OPAS recomenda que os países revisem seu desempenho na vigilância do sarampo e da rubéola, bem como os níveis de cobertura vacinal, a fim de identificar as áreas de maior risco e implementar ações preventivas. Concretamente, e no contexto da Copa do Mundo da FIFA 2026TM e de outros eventos de grande porte, os países devem aumentar a sensibilidade de seu sistema de vigilância por meio da implementação de buscas ativas, para documentar a ausência de casos de sarampo e rubéola, e oferecer informações e serviços de vacinação aos viajantes.
• Em relação aos viajantes
Antes da viagem
A OPAS/OMS recomenda aos Estados-Membros que se aconselhe todo viajante com seis meses de idade ou mais que não possa apresentar comprovante de vacinação (com duas doses da vacina contra sarampo-rubéola) ou imunidade a receber uma dose da vacina contra sarampo e rubéola, de preferência duas semanas antes de viajar para áreas onde foi documentada a transmissão de sarampo ou rubéola.
Recomenda-se que as autoridades de saúde informem o viajante, antes da partida, sobre os sinais e sintomas do sarampo e da rubéola, que incluem:
• Febre
• Exantema
• Tosse, coriza (secreção nasal) ou conjuntivite (olhos vermelhos)
• Dor nas articulações
• Linfadenopatia (gânglios inflamados)
Durante a viagem
Recomende aos viajantes que, caso apresentem sintomas durante a viagem que levem a suspeitar que contraíram sarampo ou rubéola, procedam da seguinte forma:
• Procurem atendimento médico imediatamente.
• Evitar o contato próximo com outras pessoas por sete dias a partir do início da erupção cutânea. Para reduzir o risco de contágio (o período de transmissibilidade do sarampo é de quatro dias antes a quatro dias após o início da erupção cutânea, e o período de transmissibilidade da rubéola é de sete dias antes a sete dias após o início da erupção cutânea; como é difícil diferenciar entre as duas doenças, recomenda-se considerar o período mais amplo) usar máscara por sete dias a partir da data de início da erupção cutânea reduzirá o risco de transmissão.
• Permaneça no local onde está hospedado (por exemplo, hotel ou domicílio, etc.), exceto para ir ao médico ou conforme recomendado pelo profissional de saúde. Ao sair, use sempre máscara durante o período de transmissibilidade. Use máscara no local de hospedagem, com o quarto fechado, se conviver com pessoas não vacinadas.
As autoridades de saúde devem levar em conta que um certificado de vacinação contra o sarampo não é um requisito para a entrada nos países no âmbito do RSI (2005).
Ao retornar
• Se os viajantes suspeitarem, ao retornarem, que foram infectados com sarampo ou rubéola, devem entrar em contato com o serviço de saúde e informar o médico sobre a viagem.
Fonte: Pan American Health Organization / World Health Organization - Sarampo na Região das Américas - 29 de maio de 2026
PAHO/WHO | Pan American Health Organization





