Organização Pan-americana da Saúde: Avaliação de risco à saúde pública relacionado ao sarampo - implicações para a Região das Américas 20/02/2026 - 11:55

Visão geral

A Organização Pan-americana da Saúde (OPAS/OMS) publicou, em 18 de fevereiro de 2026, uma nova avaliação de risco para a saúde pública relacionada ao Sarampo, devido ao aumento de casos e surtos da doença em alguns países da região durante o ano de 2025.

A avaliação levou em conta:

  1. o risco potencial para a saúde humana, o que inclui o comportamento clínico-epidemiológico da doença, o risco de exposição e os indicadores de magnitude e gravidade, baseados na tendência de aumento na confirmação de casos durante 2024 e 2025;
  2. o risco de disseminação, em particular a possível propagação para países com baixas coberturas vacinais e;
  3. o risco para a saúde pública em relação às capacidades de detecção precoce, prevenção e controle nos países, especialmente naqueles com baixa cobertura de vacinação contra o sarampo.

Em 2025, houve um aumento inusitado de casos de sarampo, com confirmações em 13 países. Isso incluiu o restabelecimento da circulação endêmica da doença na Região, após mais de 12 meses de circulação contínua do vírus no Canadá. Diante dessa situação, a OPAS anunciou em 10 de novembro de 2025 que a Região das Américas perdeu sua certificação como zona livre de transmissão endêmica de Sarampo.

Os dados consolidados de 2025 demonstram que, entre a semana epidemiológica (SE) 1 e a SE 53, na Região das Américas, foram confirmados 14.891 casos de sarampo, incluindo 29 óbitos, dos quais 22 (76%) ocorreram em populações indígenas. Os casos foram notificados pela Argentina (n= 36), Belize (n= 44), Estado Plurinacional da Bolívia (n= 597), Brasil (n= 38), Canadá (n= 5.436, incluindo dois óbitos), Costa Rica (n= 1), El Salvador (n= 1), Estados Unidos da América (n= 2.242, incluindo três óbitos), Guatemala (n= 1), México (n= 6.428, incluindo 24 óbitos), Paraguai (n= 49), Peru (n= 5) e Uruguai (n= 13). Este total representa um aumento de 32 vezes em comparação aos 466 casos de sarampo notificados em 2024.

Em 2026, entre a SE 1 e a SE 3, na Região das Américas, foram confirmados 1.031 casos de sarampo, sem óbitos notificados, na Bolívia (n= 10), Canadá (n= 67), Chile (n= 1), Estados Unidos da América (n= 171), Guatemala (n= 41), México (n= 740) e Uruguai (n= 1).

O risco para a saúde pública na Região das Américas, em relação ao sarampo, é considerado Muito Alto.

 

Epidemiologia

O sarampo é uma doença viral aguda altamente contagiosa, causada pelo vírus do sarampo, que pertence ao gênero Morbillivirus dentro da família Paramixoviridae. O ser humano é o único hospedeiro natural do vírus.

O vírus do sarampo propaga-se facilmente quando uma pessoa infectada respira, tosse ou espirra, infectando pessoas suscetíveis de qualquer idade. Pode provocar doença grave, complicações ou óbito, e continua sendo uma das principais causas de mortalidade de crianças pequenas em nível global. A transmissão ocorre por via aérea ou por gotículas provenientes do nariz, da boca ou da garganta de uma pessoa infectada, que entram em contato com as mucosas das vias respiratórias superiores ou com a conjuntiva, seja por meio do contato pessoal próximo ou do contato com secreções das vias respiratórias.

O agente pode permanecer ativo e contagioso no ar ou em superfícies por até duas horas. Por esta razão, é altamente infeccioso, e uma pessoa infectada pelo sarampo pode infectar até 18 indivíduos em uma população suscetível. O vírus pode ser transmitido desde quatro dias antes do aparecimento do exantema (ou seja, de um a dois dias antes do início da febre) até quatro dias depois. O vírus infecta primeiro as vias respiratórias antes de se propagar para outros órgãos. O período de incubação é de 7 a 21 dias, desde a exposição até o início do exantema (manchas na pele), com uma média de 14 dias.

É possível prevenir o sarampo mediante a imunização. A administração de uma dose da vacina aos 12–15 meses de idade produz imunidade em 93% das crianças; a revacinação com uma segunda dose aumenta os níveis de imunidade, chegando a 99%.

Em países com baixa cobertura vacinal, as epidemias ocorrem geralmente a cada dois ou três anos e costumam durar dois ou três meses, embora a duração varie conforme o tamanho da população, a densidade demográfica e o estado de imunidade da população. Nos países com uma cobertura vacinal relativamente alta, geralmente existem períodos de cinco a sete anos durante os quais ocorrem poucos casos. No entanto, se o número de pessoas suscetíveis aumentar o suficiente para manter a transmissão generalizada, podem ocorrer epidemias explosivas.

 

Fonte: Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), em 18 de fevereiro de 2026.

Leia o texto na íntegra AQUI.

 

⚠️ Orientações para o Viajante ⚠️

Como o sarampo é transmitido pelo ar, através de gotículas ao falar, tossir ou espirrar. O vírus pode permanecer vivo no ambiente por até duas horas.

Viajante, siga estas recomendações:

  • Verifique sua carteira de vacinação: A vacinação é a única forma eficaz de prevenção. Certifique-se de ter tomado as duas doses da vacina Tríplice Viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola).
  • Sintomas: Fique atento a febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas vermelhas que começam no rosto e descem pelo corpo. Os sintomas aparecem geralmente de 7 a 21 dias após o contato. 
  • Ao retornar: Caso apresente febre e manchas na pele em até 3 semanas após a viagem, procure uma unidade de saúde imediatamente e informe o roteiro do seu deslocamento.