Organização Pan-americana da Saúde: Atualização Epidemiológica da Dengue na Região das Américas 24/02/2026 - 11:27

Resumo da situação na Região das Américas

Na Região das Américas, durante o ano de 2025, foram confirmados 1.682.588 casos de dengue. Deste, 8.966 foram caracterizados como dengue grave e 2.207 mortes foram reportadas. Apesar dos números altos, o total de casos representa um decréscimo de 66% quando comparado a 2024. Durante 2025, Brasil, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, México, Panamá e Porto Rico reportaram a circulação simultânea dos quatro sorotipos do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4).

Em 2026, até a semana epidemiológica 4, 122.090 casos foram reportados, incluindo 242 casos de dengue grave e 6 mortes.

 

Figura 1. Número total de casos suspeitos de dengue reportados por Semana Epidemiológica (SE), da 1ª SE de 2025 a SE 4 de 2026, na Região das Américas

Número de casos de dengue reportados por Semana Epidemiológica em 2025-2026

Fonte: OPAS, 2026.

 

Resumo da situação por país

Na Argentina, entre a SE 1 e a SE 53 de 2025, foram notificados 17.648 casos suspeitos, dos quais 8.111 foram casos confirmados de dengue (por laboratório e vínculo clínico-epidemiológico), incluindo 13 óbitos. Durante 2025, foram identificados três sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2 e DENV-3). Durante o ano de 2026, foram notificados quatro casos importados de dengue (entre a SE 1 e a SE 4), sem registro de óbitos.

Na Bolívia entre a SE 1 e a SE 53 de 2025, foram notificados 38.028 casos suspeitos de dengue, incluindo três óbitos. Do total de casos notificados, 1.357 foram confirmados. Durante 2025, foram identificados dois sorotipos do vírus da dengue (DENV-1 e DENV-2). Durante o ano de 2026, foram notificados 4.067 casos de dengue (entre a SE 1 e a SE 3) e nenhum óbito foi registrado. Do total de casos notificados, 35 foram confirmados.

Na Colômbia entre a SE 1 e a SE 53 de 2025, foram notificados 125.119 casos suspeitos de dengue, incluindo 124 óbitos. Do total de casos notificados, 86.881 foram confirmados, incluindo os 124 óbitos. Durante 2025, foi identificada a circulação dos quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Durante o ano de 2026, foram notificados 9.383 casos de dengue (entre a SE 1 e a SE 4), incluindo dois óbitos. Do total de casos notificados, 5.109 foram confirmados.

Em Cuba, entre a SE 1 e a SE 52 de 2025, foram notificados 30.692 casos suspeitos de dengue. Do total de casos notificados, 441 foram confirmados, incluindo 19 óbitos. Durante 2025, foram identificados três sorotipos do vírus da dengue (DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Durante o ano de 2026, foram notificados 202 casos suspeitos de dengue (entre a SE 1 e a SE 2), sem registro de óbitos. Os casos foram registrados em 10 das províncias do país.

No Equador, entre a SE 1 e a SE 53 de 2025, foram notificados 37.840 casos confirmados de dengue, incluindo 65 óbitos. Os casos foram registrados em todas as 24 províncias do país. Durante 2025, foram identificados três sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2 e DENV-3). Durante o ano de 2026, foram confirmados 945 casos de dengue (entre a SE 1 e a SE 3), sem registro de óbitos.

Na Guatemala, entre a SE 1 e a SE 53 de 2025, foram notificados 48.278 casos suspeitos de dengue. Do total de casos notificados, 1.002 foram confirmados, incluindo seis óbitos. Durante 2025, foram identificados três sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3), com predomínio do DENV-3. Durante o ano de 2026, foram notificados 337 casos de dengue (entre a SE 1 e a SE 2).

No México, entre a SE 1 e a SE 53 de 2025, foram notificados 145.251 casos suspeitos de dengue. Do total de casos notificados, 22.001 foram confirmados em laboratório, incluindo 84 óbitos. Em 2025, todos os sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) foram identificados. Em 2026, até a SE 4, foram notificados 4.700 casos de dengue, sem registro de óbitos. Do total de casos notificados, 552 foram confirmados.

No Panamá, entre a SE 1 e a SE 53 de 2025, foram notificados 19.809 casos suspeitos de dengue. Do total de casos notificados, 16.262 foram confirmados, incluindo 28 óbitos. Durante 2025, foi identificada a circulação de todos os quatro sorotipos do vírus da dengue, com predomínio do DENV-3. Observou-se um aumento na proporção do DENV-3 durante o primeiro e o terceiro trimestres. Durante o ano de 2026, foram notificados 732 casos suspeitos de dengue (entre a SE 1 e a SE 3). Do total de casos notificados, 475 foram confirmados, incluindo dois óbitos.

No Paraguay, entre a SE 1 e a SE 53 de 2025, foram notificados 31.656 casos suspeitos de dengue. Do total de casos notificados, 1.374 foram confirmados e um óbito foi registrado. Durante 2025, foram identificados três sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2 e DENV-3), com predomínio do DENV-1. Durante o ano de 2026, foram notificados 2.412 casos suspeitos de dengue, dos quais 16 são casos confirmados (entre a SE 1 e a SE 4). Nenhum óbito foi registrado até a data de publicação desta atualização.

No Peru, entre a SE 1 e a SE 53 de 2025, foram notificados 37.041 casos suspeitos de dengue. Do total de casos notificados, 34.834 foram confirmados, incluindo 56 óbitos. Durante 2025, foram identificados três sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2 e DENV-3). Durante o ano de 2026, foram notificados 4.344 casos de dengue (entre a SE 1 e a SE 5), com o registro de três óbitos por dengue.

No Uruguay, entre a SE 1 e a SE 53 de 2025, foram notificados sete casos confirmados de dengue. Não foram relatados casos de dengue grave e nenhum óbito foi registrado. Durante o ano de 2026, nenhum caso de dengue foi notificado.

 

Situação no Brasil 

No Brasil, entre a SE 1 e a SE 53 de 2025, foram notificados 1.655.644 casos prováveis de dengue, incluindo 1.793 óbitos. Do total de casos notificados, 1.453.633 foram confirmados, o que corresponde a uma taxa de incidência de 775,7 por 100.000 hab. e uma taxa de letalidade de 0,12% (n= 1.786 óbitos). Do total de casos suspeitos, 2,2% foram casos de dengue grave (n= 35.976). Durante 2025, foi identificada a circulação dos quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), com predomínio do DENV-2. Observou-se um aumento na proporção do DENV-3 durante o primeiro semestre de 2025.

Durante o ano de 2026, foram notificados 62.707 casos suspeitos de dengue (entre a SE 1 e a SE 5). Do total de casos notificados, 21.671 foram confirmados, correspondendo a uma taxa de incidência de 29,4 casos por 100.000 hab. Até a SE 5, foram confirmados 8 óbitos. Dos casos notificados, 1,2% corresponderam a dengue grave (n= 739 casos).

Quanto à tendência em 2025, observou-se o padrão habitual, com um aumento nos casos durante o primeiro semestre do ano e um pico na SE 12, de forma semelhante ao registrado em anos não epidêmicos. Nas últimas semanas de 2025 e nas primeiras semanas de 2026, houve uma leve tendência de aumento, consistente com o comportamento esperado para esta época do ano.

 

Orientações para as autoridades nacionais

  • Vigilância Integrada: a OPAS/OMS incentiva a continuidade da vigilância epidemiológica e a notificação de casos suspeitos e confirmados de dengue, chikungunya e Zika. Dado o risco de aumento da prevalência do DENV-3 com potencial para surtos, formas graves e óbitos, a vigilância integrada (epidemiológica, clínica, laboratorial e entomológica) deve ser fortalecida.
  • Manejo de Casos: as medidas para garantir o manejo clínico adequado dos casos suspeitos de dengue devem ser prioridade. As capacidades no nível da atenção primária à saúde devem ser fortalecidas para evitar a progressão para formas graves e óbitos. 
  • Adaptação dos Serviços de Saúde: os Estados-Membros são instados a adaptar seus serviços, como organizar a triagem, fluxo de pacientes e áreas de internação; reorganizar os serviços em situações de surto/epidemia; e fortalecer as redes de atenção no diagnóstico, acompanhamento e sistemas de referência e contrarreferência.
  • Confirmação Laboratorial: o diagnóstico inicial é clínico. O laboratório serve para fins de vigilância e não para a tomada de decisão clínica imediata. Testes virológicos (RT-PCR, NS1): Devem ser priorizados e realizados em amostras coletadas nos primeiros 5 dias após o início dos sintomas (fase aguda); Testes sorológicos (IgM): Devem ser analisados com cautela devido à possibilidade de reação cruzada com outros flavivírus (Zika, febre amarela). Um único resultado IgM indica apenas um caso provável; Casos fatais: Amostras de tecidos (fígado, baço, rim) devem ser consideradas para RT-PCR e estudo imuno-histoquímico. Biópsias são totalmente contraindicadas em pacientes vivos; Testes rápidos: O uso de testes de imunocromatografia não é recomendado para descartar infecção devido à baixa sensibilidade.
  • Medidas de Prevenção e Controle do Aedes: as medidas devem incluir ação como a eliminação de criadouros em residências e áreas comuns (parques, escolas, cemitérios); reorganização da coleta de resíduos sólidos; uso de métodos físicos, biológicos e químicos com participação comunitária; fumigação (adulticida): medida excepcional para eliminar mosquitos adultos infectados em áreas de transmissão ativa; Pulverização Residual Intradomiciliar: eficaz por até quatro meses em locais de repouso do mosquito.
  • Medidas de Prevenção Pessoal: uso de mosquiteiros (impregnados ou não); roupas de mangas longas; e uso de repelentes com DEET, IR3535 ou Icaridina conforme o rótulo.
  • Comunicação e Participação Comunitária: Implementar planos de comunicação focados na eliminação de criadouros e no reconhecimento dos sintomas e sinais de alarme. O apoio da comunidade é essencial, e materiais simples de Informação, Educação e Comunicação (IEC) devem ser disseminados em diversos meios.

 

Fonte: Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), em 18 de fevereiro de 2026.

Leia o texto na íntegra AQUI.