Organização Pan-americana da Saúde: Atualização Epidemiológica - Influenza Aviária A (H5N1) na Região das Américas 12/03/2026 - 10:48
Contexto Global
A Influenza Aviária A (H5N1) é uma doença viral altamente contagiosa que afeta principalmente aves domésticas e selvagens e, ocasionalmente, mamíferos, incluindo humanos. Desde seu surgimento em 1996, a linhagem Goose/Guangdong tem causado surtos recorrentes em populações de aves. A partir de 2020, um genótipo do vírus da influenza A(H5N1) do clado 2.3.4.4b levou a uma mortalidade sem precedentes em aves silvestres e aves em vários países da África, Ásia e Europa. Até dezembro de 2025, mais de 600 espécies de aves selvagens e de criação foram reportadas como afetadas por vírus da influenza aviária com potencial zoonótico A(H5Nx).
Impulsionada pelo movimento de aves silvestres migratórias, especialmente aves aquáticas, a disseminação global do vírus da influenza A(H5N1) nos últimos anos coincidiu com o aumento das detecções de influenza A(H5N1) em espécies não aviárias, incluindo mamíferos terrestres e marinhos silvestres e domésticos. Historicamente, para o vírus A(H5N1), um total de 36 países em cinco continentes relatou surtos de mamíferos à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Os vírus IAAP, incluindo a influenza A(H5N1), continuam circulando em populações silvestres de aves e mamíferos, com aumento nos casos reportados de mamíferos durante 2025. O número acumulado de espécies afetadas tanto em aves quanto em mamíferos também aumentou ao longo do tempo, como refletido pela documentação progressiva de infecções em uma gama mais ampla de espécies silvestres e domésticas. Detecções sustentadas em espécies silvestres de mamíferos ressaltam o risco de que a influenza A(H5N1) possa se adaptar cada vez mais a hospedeiros mamíferos, embora as infecções humanas permaneçam esporádicas.
Entre o início de 2003 e 26 de janeiro de 2026, 993 casos humanos de influenza aviária A(H5N1) foram reportados à Organização Mundial da Saúde (OMS), incluindo 477 mortes (taxa de letalidade de 48%), em 25 países ao redor do mundo. Os casos humanos reportados continuam principalmente ligados à exposição a animais infectados ou ambientes contaminados. Desde 2007, nenhuma transmissão sustentada de vírus da influenza A(H5) de pessoa para pessoa foi identificada.
Situação na Região das Américas
Após sua introdução na América do Norte em 2021 e sua posterior disseminação para a América Central e América do Sul em 2022 por rotas migratórias de aves aquáticas, detecções de influenza A(H5N1) continuaram a ser reportadas em todo o continente. No total, entre a semana epidemiológica (SE) 2 de 2022 e a SE 9 de 2026, um total de 21 países e territórios nas Américas notificou 5.744 surtos de influenza A (H5N1) em diversas espécies de aves e mamíferos.
Entre 1º de janeiro de 2025 e 9 de março de 2026, detecções de influenza A(H5N1) foram registradas em 37 espécies de mamíferos em dois países e em 94 espécies de aves em 11 países e territórios das Américas. Esses achados confirmam a continuidade da circulação do vírus em populações animais e as implicações para saúde pública.
Infecções humanas com o vírus influenza aviária A(H5) nas Américas, 2022-2026
Entre 20 de abril de 2022 e 9 de março de 2026, um total de 75 infecções humanas causadas pela influenza aviária A(H5N1), incluindo duas mortes, foram reportadas em cinco países das Américas, sem mais casos desde a última atualização epidemiológica da OPAS/OMS sobre a influenza aviária em 24 de novembro de 2025 (Figura 1).
Durante esse período, os casos humanos de influenza aviária A(H5N1) na Região das Américas foram distribuídos da seguinte forma: um caso no México reportado em 2 de abril de 2025; 71 casos nos Estados Unidos da América, incluindo um em 2022 e 70 entre março de 2024 e fevereiro de 2025; um caso no Canadá confirmado em 13 de novembro de 2024, um caso no Chile reportado em 29 de março de 2023; e um caso no Equador reportado em 9 de janeiro de 2023.
Além desses casos confirmados de A(H5N1), outras infecções humanas com vírus da influenza aviária A(H5) foram reportadas na Região das Américas no mesmo período. O México confirmou um caso humano de A(H5N2) em 2 de outubro de 2025, representando a segunda infecção por H5N2 identificada no país. Além disso, em 14 de novembro de 2025, os Estados Unidos reportaram o primeiro caso humano de infecção por influenza A(H5N5) no mundo que teve um desenlace fatal.
Figura 1. Casos humanos de influenza aviária A(H5) na Região das Américas 2022-2026, até 9 de março de 2026.
Fonte: Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), 2026.
Situação por país e/ou território: Surtos de animais no final de 2025 e início de 2026
Desde 1º de janeiro de 2026 e até 9 de março de 2026, 105 surtos em espécies de aves domésticas e silvestres foram reportados para OMSA em seis países da Região das Américas, sem surtos em espécies de mamíferos silvestres ou domésticos reportados. Mais informações, incluindo para dezembro de 2025, são fornecidas abaixo, desagregadas por tipo de animal.
Entre aves: Em dezembro de 2025, um total de 97 surtos em espécies de aves foram reportados à OMSA, incluindo 96 surtos em aves domésticas no Brasil (n=1), Canadá (n=15), Colômbia (n=5) e Estados Unidos (n=75), e um surto em aves silvestres nos Estados Unidos. Esses relatórios elevam o total acumulado para o ano civil de 2025 (janeiro–dezembro) para 837 surtos em espécies de aves domésticas e silvestres.
Em 2026, até a SE 9, um total de 105 surtos foram reportados à OMSA em espécies de aves: 95 surtos em aves domésticas, incluindo Argentina (n=5), Brasil (n=1), Canadá (n=6), Estados Unidos da América (n=83); e 10 surtos em espécies de aves silvestres na Argentina (n=3), Chile (n= 1) e Uruguai (n=6). Além dos surtos oficialmente reportados, dados oficiais de vigilância publicados pelas autoridades competentes indicam que, até 9 de março de 2026, 678 detecções de influenza aviária A(H5N1) em aves silvestres foram registradas nos Estados Unidos; e uma detecção foi registrada no Canadá.
Entre mamíferos: Durante dezembro de 2025, nenhum surto de influenza aviária A(H5N1) em mamíferos silvestres foi oficialmente reportado à OMSA nas Américas. Quanto aos mamíferos domésticos, nenhum surto foi oficialmente reportado à OMSA durante esse período. Esses relatórios elevam o total acumulado do ano civil de 2025 (janeiro–dezembro) para 218 surtos reportados à OMSA em espécies de mamíferos domésticos e silvestres. Além dos relatórios oficiais, o Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal (APHIS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou dois rebanhos leiteiros afetados: um no final de novembro de 2025 na Califórnia e outro em dezembro de 2025 em Wisconsin, Estados Unidos.
Até a SE 9 de 2026, nenhum surto de A(H5N1) em mamíferos domésticos foi oficialmente reportado à OMSA em qualquer país ou território da Região das Américas.
Recomendações
A OPAS/OMS incentiva os Estados-Membros a fortalecer a vigilância tanto em animais quanto em humanos por meio de uma abordagem intersetorial, garantindo a detecção oportuna dos casos para monitorar possíveis mudanças na epidemiologia do vírus. A vigilância epidemiológica da influenza aviária A(H5N1) deve ser fortalecida em populações com maior risco de exposição, incluindo trabalhadores agrícolas, veterinários, profissionais de saúde e profissionais de laboratório, identificando sinais sistematicamente. Esses incluem doenças respiratórias, conjuntivite ou encefalite em pessoas com exposição recente a animais infectados, bem como casos de infecção respiratória aguda grave (IRAG) ou pneumonia em viajantes de áreas com influenza aviária detectada A(H5).
Fonte: Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em 11 de março de 2026.
Leia o texto na íntegra AQUI.





