Alerta Epidemiológico Chikungunya - OPAS/OMS 11/02/2026 - 08:41
Chikungunya em nível global
Em nível global, entre 1º de janeiro de 2025 e 10 de dezembro de 2025, foram notificados 502.264 casos de chikungunya, incluindo 208.335 casos confirmados e 186 óbitos relatados por 41 países e territórios. Por Região da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram notificados casos na Região da África com 2.211 casos, incluindo 111 casos confirmados, na Região do Mediterrâneo Oriental com 1.596 casos, incluindo 67 casos confirmados, a Região da Europa com 56.986 casos confirmados, incluindo 43 óbitos, a Região das Américas com 291.451 casos, incluindo 110.039 casos confirmados e 141 óbitos, a Região do Sudeste Asiático com 115.985 casos, incluindo 34.035 confirmados e 2 óbitos, e a Região do Pacífico Ocidental com 34.035 casos confirmados e dois óbitos.
A análise genômica identificou três genótipos principais do vírus chikungunya (CHIKV) em circulação global: o genótipo da África Ocidental, o genótipo da África Oriental, Central e Sul-Africana (ECSA,por suas siglas em inglês) e o genótipo asiático. Dentro do genótipo ECSA, surgiu a sublinhagem do Oceano Índico (IOL, por suas siglas em inglês), geneticamente divergente e caracterizada pela mutação E1-A226V, que tem sido associada a uma maior transmissibilidade do CHIKV pelo vetor Aedes albopictus.
Chikungunya na Região das Américas
Em 2025, entre a semana epidemiológica (SE) 1 e a SE 53, 18 países e um território da Região das Américas notificaram, por meio da Plataforma de Informação em Saúde para as Américas (PLISA) da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), 313.132 casos, dos quais 113.926 foram confirmados, incluindo 170 óbitos por chikungunya.
Desde o final de 2025 (SE 49) e início de 2026 (SE 4), observou-se um aumento sustentado de casos de chikungunya em países e territórios da Região das Américas, bem como a retomada da transmissão autóctone em áreas que não registravam a circulação do vírus há vários anos. Nesse período, foi documentada uma circulação significativa nas regiões centro-oeste e sudeste do Brasil, sul da Bolívia e o reaparecimento de casos na zona do Escudo Guianês.
Em 2026, até a SE 4, foram notificados através do PLISA 7.150 casos de chikungunya, dos quais 2.351 foram confirmados, incluindo uma morte.
A seguir, um resumo sucinto da situação epidemiológica da chikungunya em países selecionados da Região das Américas que notificaram casos entre o final de 2025 e o início de 2026, organizado em ordem alfabética:
Na Bolívia, entre a SE 1 e a SE 53 de 2025, foram notificados um total de 4.696 casos confirmados de chikungunya, incluindo quatro óbitos. Em 2026 (até a SE 3), foram confirmados 984 casos de chikungunya, sem registro de óbitos.
Durante 2025, observou-se um aumento a partir da SE 12, atingindo o maior número de casos na SE 22. Esse aumento esteve principalmente associado ao surto registrado no departamento de Santa Cruz. Um segundo aumento, embora menos pronunciado que o anterior, foi registrado a partir da SE 41 de 2025, tendência que se manteve até as primeiras semanas de 2026. Na Bolívia, foi documentada a circulação do genótipo ECSA do CHIKV durante 2025; no entanto, a mutação E1-A226V não foi identificada.
No Brasil, entre a SE 1 e a SE 53 de 2025, foram notificados 129.123 casos prováveis de chikungunya, incluindo 121 óbitos, dos quais 107.975 foram confirmados. Em 2026 (até a SE 4), foram notificados 4.544 casos prováveis, dos quais 1.535 foram confirmados, sem registro de óbitos.
Embora o número de casos prováveis e confirmados registrados nas primeiras quatro semanas de 2026 seja significativamente menor do que o notificado no mesmo período em 2025 (15.929 casos), é importante destacar que a atividade do vírus se manteve durante as últimas quatro semanas de 2025 (SE 49) e as primeiras semanas de 2026 (SE 4). Nesse período, 26 unidades federais notificaram casos, sendo que 71,5% do total de casos (prováveis e confirmados) concentraram-se em cinco estados: Minas Gerais (n= 1.515 casos prováveis, 81 confirmados por laboratório), Mato Grosso do Sul (n= 1.326 casos prováveis, 388 confirmados por laboratório), Goiás (n= 1.318 casos prováveis, 377 confirmados por laboratório), São Paulo (n= 784 casos prováveis, 143 confirmados por laboratório) e Mato Grosso (n= 364 casos prováveis, 84 confirmados por laboratório, incluindo um óbito).
Todos os 7.413 casos prováveis e confirmados registrados neste período foram classificados como autóctones. Dos casos confirmados por laboratório, 959 correspondem a mulheres. A maior proporção de casos foi registrada na faixa etária de 30 a 39 anos (n=261 casos), seguido pelo grupo de 40 a 19 anos (n=237 casos).
Além disso, foram notificados 405 casos que exigiram hospitalização e 14 casos em recém nascidos. No Brasil, foi documentada a circulação do genótipo ECSA sem a presença da mutação E1-A226V.
Em Cuba, desde o início do surto em julho de 2025 e até a semana 53, foram notificados 51.217 casos suspeitos de chikungunya, incluindo 46 óbitos e 1.959 casos confirmados por laboratório. Os casos foram identificados em 13 das 15 províncias: Artemisa, Camagüey, Ciego de Ávila, Cienfuegos, Granma, Guantánamo, Holguín, Havana, Matanzas, Pinar del Río, Sancti Spíritus, Santiago de Cuba e Villa Clara. Até o momento da publicação deste alerta, não foram recebidas informações sobre casos notificados em 2026.
Na Guiana, em 2025, foram notificados um total de seis casos suspeitos de chikungunya, todos confirmados por testes laboratoriais. Os casos foram registrados entre as semanas epidemiológicas 42 e 48, na região 4, e foram classificados como autóctones, uma vez que não havia histórico de viagem antes do início dos sintomas. Esses casos foram registrados após nove anos sem notificação de casos autóctones. Até o momento, em 2026, não foram notificados novos casos.
Na Guiana Francesa, entre a SE 4 e a SE 5 de 2026, foram confirmados por laboratório cinco casos de chikungunya, dos quais quatro foram classificados como autóctones e um como importado. Os casos autóctones foram registrados em Saint-Laurent-du-Maroni (n= 3) e Kourou (n= 1), enquanto o caso importado corresponde a um residente de Cayenne com histórico de viagem ao Suriname. O sequenciamento dos primeiros casos autóctones mostrou alta similaridade genética entre si e estreita relação com sequências recentes de Cuba e Brasil.
No Panamá, entre a SE 1 e a SE 53 de 2025, foram notificados 336 casos de chikungunya, dos quais 41 foram confirmados, sem registo de óbitos associados durante este período. Os casos confirmados estão em processo de genotipagem. Até ao momento, em 2026, não foram notificados casos.
No Paraguai, entre a SE 1 e a SE 53 de 2025, foram notificados 51 casos confirmados de chikungunya. Entre a SE 1 e a SE 4 de 2026, foi notificado um caso confirmado adicional. Não foram registados óbitos durante este período. Esta situação representa uma diminuição acentuada em comparação com o surto ocorrido entre 2022 e 2023, quando foram notificados 2.248 e 83.522 casos confirmados respetivamente, incluindo 297 óbitos associadas à chikungunya em 2023. Entre abril e julho de 2025, foi documentada no Paraguai a circulação do genótipo ECSA do vírus chikungunya, sem detecção da mutação E1-A226V.
No Suriname, não havia casos autóctones notificados desde 2016; no entanto, na semana epidemiológica 51 de 2025, foi registrado o primeiro caso autóctone de chikungunya. Desde a semana epidemiológica 51 de 2025 até a semana epidemiológica 4 de 2026, foram notificados um total de 712 casos suspeitos de chikungunya, dos quais 327 foram confirmados por laboratório, incluindo um óbito. De acordo com as informações disponíveis (n=150 casos), os casos confirmados foram notificados em quatro dos dez distritos do Suriname: Paramaribo (n= 127 casos, incluindo um óbito), Commewijne (n= 1 caso), Nickerie (n= 15 casos) e Wanica (n= 7 casos). As informações sobre a idade estavam disponíveis para 585 casos, com idades entre 11 meses e 85 anos. As crianças de 0 a 14 anos representaram a maior proporção de casos (28%; n = 163), seguidas de perto pelos adultos de 30 a 49 anos (28%; n = 162). O sexo foi informado em 585 casos, dos quais 52% (n = 305) eram mulheres; vale ressaltar que as mulheres representavam 71% dos casos na faixa etária de 30 a 49 anos. Havia informações disponíveis sobre hospitalização em 55 casos, dos quais 12 (7,7%) necessitaram de hospitalização. Foi notificada uma morte que está a ser investigada, correspondente a um homem de 72 anos com comorbidades, que faleceu em 26 de janeiro de 2026. As amostras dos casos de 2026 estão atualmente a ser submetidas a análises de genotipagem; os resultados estão pendentes.
Orientações para as autoridades nacionais
Diante do aumento do número de casos de chikungunya em alguns países, tanto dentro como fora da Região, e considerando o risco de expansão do vírus chikungunya para novas áreas com populações suscetíveis, a OPAS/OMS insta os Estados Membros a tomarem as medidas necessárias para prevenir e responder oportunamente a possíveis surtos. Nesse sentido, recomenda-se fortalecer a vigilância epidemiológica e entomológica, garantir o diagnóstico oportuno e o manejo clínico adequado dos casos de chikungunya e outras arboviroses, e intensificar as ações de prevenção e controle de vetores. Da mesma forma, exorta-se a preparar os serviços de saúde para garantir o acesso dos pacientes a uma atenção integral e adequada. A OPAS/OMS lembra aos Estados-Membros que continuam em vigor as orientações emitidas no Alerta Epidemiológico de 13 de fevereiro de 2023 sobre o aumento da incidência de chikungunya na Região das Américas, disponível em: https://www.paho.org/pt/documentos/alerta-epidemiologica-aumento-chikungunya-naregiao-das-americas.
Medidas de prevenção e controle do Aedes
Dada a alta infestação por Aedes aegypti e a presença do Aedes albopictus na Região, recomenda-se que as medidas de prevenção e controle sejam orientadas para reduzir a densidade do vetor e contem com a aceitação e colaboração da população local. As medidas de prevenção e controle a serem implementadas pelas autoridades nacionais devem incluir o seguinte:
• Fortalecer as ações de ordenamento ambiental, principalmente a eliminação de criadouros do vetor em residências e áreas comuns (parques, escolas, unidades de saúde, cemitérios, etc.).
• Reorganizar os serviços de coleta de resíduos sólidos para apoiar as ações de eliminação de criadouros nas áreas de maior transmissão e, se necessário, planejar ações intensivas em áreas específicas onde a coleta regular de lixo tenha sido interrompida.
• Aplicar medidas para o controle de criadouros através da utilização de métodos físicos, biológicos e/ou químicos, que envolvam ativamente os indivíduos, a família e a comunidade.
• Definir as áreas de alto risco de transmissão (estratificação de risco) e priorizar aquelas onde há concentração de pessoas (escolas, terminais, hospitais, centros de saúde, etc.). Nessas instalações, deve-se eliminar a presença do mosquito em um raio de pelo menos 400 metros ao redor. É importante dar atenção especial às unidades de saúde, que devem estar livres da presença do vetor e de seus criadouros para que não se tornem pontos de irradiação do vírus.
• Nas áreas onde é detectada transmissão ativa, sugere-se a implementação de medidas orientadas para a eliminação de mosquitos adultos infectados (principalmente através do uso de inseticidas), a fim de deter e interromper a transmissão. Essa ação é urgente e só é eficaz quando executada por pessoal devidamente capacitado e treinado de acordo com as orientações técnicas internacionalmente aceitas e quando realizada concomitantemente com as outras ações propostas. A principal ação para interromper a transmissão no momento em que ela ocorre de forma intensiva é a eliminação de mosquitos adultos infectados (transmissão ativa) por meio da fumigação intradomiciliar, utilizando equipamentos individuais, somada à destruição e/ou controle dos criadouros do vetor dentro das residências.
• Escolher adequadamente o inseticida a ser utilizado (seguindo as recomendações da OPAS/OMS), sua formulação e ter conhecimento sobre a suscetibilidade das populações de mosquitos a esse inseticida.
Medidas de proteção pessoal
Os pacientes infectados pelo vírus chikungunya, dengue, Oropouche ou Zika são o reservatório da infecção para outras pessoas, tanto em suas casas quanto na comunidade. É necessário comunicar aos doentes, suas famílias e à comunidade afetada sobre o risco de transmissão e as maneiras de prevenir o contágio, diminuindo a população de vetores e o contato entre o vetor e as pessoas. É importante reforçar essas medidas no caso de mulheres grávidas, dado o risco de transmissão vertical do chikungunya, Oropouche e Zika. Para reduzir ao mínimo o contato entre o vetor e o paciente, recomenda-se:
• Proteger as residências com telas finas nas portas e janelas.
• Uso de roupas que cubram as pernas e os braços, especialmente em casas onde há alguém doente com Oropouche, Zika ou outra arbovirose.
• Uso de repelentes que contenham DEET, IR3535 ou icaridina, que podem ser aplicados na pele exposta ou na roupa, e seu uso deve estar em estrita conformidade com as instruções do rótulo do produto.
• Uso de mosquiteiros impregnados ou não com inseticidas para quem dorme durante o dia (por exemplo, mulheres grávidas, bebês, pessoas doentes ou acamadas, idosos).
• Em situações de surto, deve-se evitar atividades ao ar livre durante o período de maior atividade dos vetores (ao amanhecer e ao entardecer).
• No caso de pessoas com maior risco de picada de culicoides, como trabalhadores florestais, agrícolas, etc., recomenda-se o uso de roupas que cubram as partes expostas do corpo, bem como o uso dos repelentes mencionados anteriormente.
Fonte: Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS)
https://www.paho.org/sites/default/files/2026/02/2026-fevereiro-10-phe-alerta-chkvfinalpt.pdf





