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07/12/2018

Febre Amarela nas Américas

Entre janeiro de 2017 e novembro de 2018, seis países e territórios da Região das Américas notificaram casos confirmados de febre amarela: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa e Peru. O número de casos humanos e epizootias relatados na Região das Américas durante este período é o mais alto em décadas.

Desde 20 de março de 2018, a atualização epidemiológica sobre a febre amarela publicada pela Organização Americana de Saúde / Organização Mundial da Saúde (OPAS / OMS), Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana Francesa e Peru relataram novos casos de febre amarela.

Resumo da situação epidemiológica nestes países e territórios:

Na Bolívia, entre a semana epidemiológica (SE) 1 e a SE 47 de 2018, 34 casos suspeitos de febre foram relatados nos departamentos de Beni, Cochabamba, La Paz e Santa Cruz. Destes, um caso foi confirmado laboratorialmente em um homem de 15 anos sem histórico de vacinação e que é residente do município de San Ramón, no departamento de Beni, que é uma área considerada em risco de febre amarela. O caso havia viajado para a cidade de Costa Marques, Brasil, antes do início dos sintomas na SE 12 de 2018. O paciente recebeu alta do hospital e foi confirmado laboratorialmente por ELISA IgM.  Em 2017, foram notificados 5 casos confirmados.

No Brasil, a febre amarela tem um padrão sazonal, baseado na análise histórica de casos humanos e epizootias devido à febre amarela nos últimos 20 anos, com dois períodos diferentes: maior transmissão entre dezembro e maio (período sazonal) e menor ou maior transmissão interrompida ocorrida entre junho e novembro.

Nos últimos 3 anos, houve uma expansão da área histórica de transmissão de febre amarela no país. Em 2014-2015, a transmissão que inicialmente ocorreu na região Norte se espalhou de leste para sul e, em 2015-2016, afetou principalmente os estados da região Centro-Oeste. Do final de 2016 até junho de 2017, houve um grande surto que afetou principalmente os estados da Região Sudeste, com 778 casos humanos, incluindo 262 mortes e 1.655 epizootias devido à febre amarela. Uma segunda onda de transmissão foi informada durante o mesmo período (final de 2017 até junho de 2018), que também afetou a Região Sudeste, embora com maior transmissão no estado de São Paulo; foram registrados 1.376 casos humanos, incluindo 483 mortes e 864 epizootias. Os casos notificados em ambos os períodos, 2016-2017 e 2017-2018, excedeu o que foi relatado nos últimos 50 anos.

Durante 2018, a curva epidêmica para epizootias mostra que a circulação viral continuou durante o período de baixa transmissão (junho a novembro). Entre 1º de julho e 8 de novembro de 2018, foram notificados 271 casos suspeitos de febre amarela em humanos, com um caso (fatal) confirmado, 120 permanecem sob investigação e 150 foram descartados. Havia 1.079 epizootias entre primatas não humanos relatados, dos quais 13 foram confirmados para febre amarela nos estados de São Paulo (8), Rio de Janeiro (3), Minas Gerais (1), e Mato Grosso (1), que são as mesmas áreas ou áreas circunvizinhas durante o surto de 2016-2017, indicando que o risco de transmissão para populações não vacinadas persistem.

O caso confirmado fatal foi relatado na SE 42 de 2018 e teve um provável local de infecção no município de Caraguatatuba, no estado de São Paulo; epizootias entre primatas não humanos devido à febre amarela foram detectados dentro desta área nos meses anteriores.

Dado o tamanho dos surtos que o Brasil enfrentou durante os últimos dois anos, o país teve que modificar suas políticas de vacinação contra a febre amarela, aumentando o número de áreas com a recomendação da vacinação de 3.526 municípios em 2010 para 4.469 municípios em 2018, e para todo o país a partir de 2019. Além disso, o esquema de vacinação mudou de duas doses em crianças menores de 5 anos e um reforço após 5 anos de idade, para uma dose única a partir dos 9 meses de idade. O uso de doses fracionadas para responder a surtos, especialmente nas grandes cidades, também foi adotado. Essa estratégia foi implementada em São Paulo, no Rio de Janeiro e Bahia.

A partir da SE 39 de 2018, resultados preliminares da campanha de vacinação em massa contra a febre amarela indicam que 13,3 milhões de pessoas em São Paulo, 6,5 milhões no Rio de Janeiro e 1,85 milhões nos estados da Bahia foram vacinados, o que representa cobertura vacinal de 53,6%, 55,6% e 55,0%, respectivamente.

 

Na Colômbia, entre SE 1 e 36 de 2018, um caso de febre amarela confirmado por laboratório foi reportado. O caso é um homem de 21 anos de idade da comunidade indígena de Desano, Município de Mitú, Departamento de Vaupés. O início dos sintomas ocorreu na SE 35 de 2018 e o caso morreu na SE 36. O caso foi confirmado para febre amarela por ELISA IgM e teste imuno-histoquímico de amostras de fígado.

O último caso relatado de febre amarela neste departamento foi em 2016 no município de Carurú. A cobertura vacinal contra a febre amarela para crianças menores de 18 meses é 81,2% no Departamento de Vaupés e 89,9% no Município de Mitú.

Na Guiana Francesa, na SE 32 de 2018, foi notificado um caso confirmado de febre amarela com início dos sintomas na SE 31. O caso é um homem de 47 anos com história de permanência na floresta em Roura, Guiana Francesa. O caso foi hospitalizado em Cayenne, na Guiana Francesa e na SE 32 apresentou hepatite fulminante e foi transferido para Paris, França, para um transplante de fígado. O caso foi confirmado para febre amarela por PCR.

 

No Peru, entre a SE 1 e 45 de 2018, foram notificados 15 casos de febre amarela, nove foram confirmados laboratorialmente e os seis restantes estão sob investigação. Estes casos superam aos relatados durante o mesmo período de 2017, quando 6 casos de febre amarela foram reportados.

Em 2018, os casos confirmados são dos departamentos com florestas: Loreto, San Martin, Ucayali e Madre de Dios.

 

Conselhos para as autoridades nacionais

A continuação da ocorrência de epizootias no Brasil nos meses em que as condições climáticas são menos favoráveis à circulação do vírus (junho a novembro) é motivo de preocupação e indica que o risco de transmissão para seres humanos não vacinados persiste.

A OPAS / OMS incentiva os Estados Membros com áreas de risco para a febre amarela a continuar os esforços para imunizar as populações em risco e tomar as medidas necessárias para manter os viajantes informados e vacinação antes de viajar para áreas onde a vacinação contra febre amarela é recomendada.

 

Vacinação

A vacina contra febre amarela é segura e acessível e proporciona imunidade efetiva contra a doença na faixa de 80-100% dos vacinados após 10 dias e 99% de imunidade após 30 dias. Uma dose única é suficiente para conferir imunidade e fornecer proteção duradoura contra a doença da febre amarela, sem necessidade de dose de reforço.

A OPAS / OMS reitera suas recomendações às autoridades nacionais:

1. Implementar a vacinação universal em crianças em países endêmicos aos 12 meses de idade, administrada simultaneamente com o sarampo, caxumba e rubéola.

2. Países endêmicos que planejaram campanhas de acompanhamento para o Sarampo / Rubéola entre crianças menores de 5 anos devem aproveitar a oportunidade para integrar a vacinação contra a febre amarela e administrar essas duas vacinas simultaneamente.

3. Atualizar a avaliação de risco para orientar as medidas de vacinação e controle. A atualização/avaliação de risco deve levar em conta mudanças nos fatores ecológicos, migração padrões, vacinação, atividades sócio-econômicas, bem como o risco de reurbanização.

4. Vacinação da população que vive em áreas de risco, atingindo pelo menos 95% de cobertura entre os moradores dessas áreas (urbana, rural e selva), através de diferentes estratégias:

5. Garantir a vacinação de todos os viajantes para áreas de risco pelo menos 10 dias antes de viajar.

6. Os Estados-Membros devem dispor de reservas de vacinas para responder aos surtos.

 

Fonte da informação: Pan American Health Organization • http://www.paho.org/ • © PAHO/WHO, 2018

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