• Português
  • Espanhol
  • Inglês

Malária


A DOENÇA NO MUNDO


A percentagem de populações em risco na África com infecções pelo parasita da malária caiu de 17% em 2010 para 13% em 2015. Nessa região, o número de pessoas infectadas diminuiu de 131 milhões em 2010 para 114 milhões em 2015. Em todo o mundo, 212 milhões de casos de malária foram registrados em 2015. A maioria deles na Região Africana (90%), seguida do Sudeste Asiático (7%) e do Mediterrâneo Oriental (2%).

A taxa de incidência de casos da doença diminuiu 41% entre 2000 e 2015, e 21% entre 2010 e 2015.

Dos 91 países e territórios com transmissão da doença em 2015, estima-se que 40 alcançaram uma redução nas taxas de incidência de 40% ou mais entre 2010 e 2015, e pode ser considerado que estão em vias de atingir a meta global de redução adicional de 40% até 2020.

No entanto,  uma nova atualização epidemiológica da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), emitida em 30 de janeiro de 2018, recomenda que os países das Américas fortaleçam as ações de vigilância e controle da malária após um aumento no número de casos em vários países da região durante 2016 e 2017.

A recomendação acontece após quase uma década (2005-2014) de declínio sustentado no número de casos de malária na região. Nove países (Colômbia, Equador, El Salvador, Haiti, Honduras, Nicarágua, Panamá e Venezuela) relataram um aumento nos casos em 2016. No ano passado, cinco países (Brasil, Equador, México, Nicarágua e Venezuela) também notificaram uma elevação de casos da doença.

A OPAS adverte que as conquistas alcançadas para a eliminação da doença podem ser comprometidas se as ações de vigilância e controle em toda a região não forem mantidas ou fortalecidas.

A existência de condições de vulnerabilidade e pobreza nas populações que habitam áreas com presença do vetor e transmissão da doença – e a predominância de atividades trabalhistas e econômicas que aumentam o risco de exposição aos vetores (mineração, extração de produtos naturais, agricultura), bem como a ocupação não planejada do espaço – são alguns dos determinantes que explicam o aumento nos casos. As populações móveis e migrantes são grupos particularmente vulneráveis, devido às condições habitacionais e à falta de proteção social.

Malária 2017

 

 

Certificação de Eliminação da doença para o Paraguai

A Organização Mundial da Saúde (OMS) certificou na segunda-feira (11/06) o Paraguai como tendo eliminado a malária. É o primeiro país das Américas a obter esse status desde Cuba, em 1973.

Em 2016, a OMS identificou o Paraguai como um dos 21 países com potencial para eliminar a malária até 2020. Por meio da iniciativa “E-2020”, a Organização está apoiando esses países à medida que ampliam as atividades para se tornar livres da doença. Outros participantes da E-2020 nas Américas são Belize, Costa Rica, Equador, El Salvador, México e Suriname.

Entre 1950 e 2011, o Paraguai desenvolveu sistematicamente políticas e programas para controlar e eliminar a malária, um desafio significativo para a saúde pública em um país que registrou mais de 80 mil casos da doença na década de 1940. Como resultado, o Paraguai registrou seu último caso de malária por Plasmodium falciparum em 1995 e malária por P. vivax em 2011.

Um plano de cinco anos para consolidar os ganhos, impedir o restabelecimento da transmissão e preparar a certificação de eliminação foi lançado em 2011. As atividades tiveram foco no gerenciamento robusto de casos, envolvimento com comunidades e educação para tornar as pessoas mais conscientes sobre as formas de prevenir a transmissão e sobre as opções de diagnóstico e tratamento.

Em 2016, o Ministério da Saúde paraguaio lançou uma iniciativa de três anos para desenvolver as habilidades dos profissionais de saúde da linha de frente do país. Apoiado pelo Fundo Global de Luta Contra a Aids, Malária e Tuberculose, o país reforçou sua capacidade de prevenir doenças, identificar casos suspeitos de malária, diagnosticar com precisão e oferecer tratamento imediato – estratégias-chave para enfrentar a doença de países endêmicos em outros lugares das Américas e na África Subsaariana.

Em abril de 2018, o painel independente de certificação de eliminação da malária concluiu que o Paraguai havia interrompido a transmissão endêmica pelos três anos necessários e que tinha capacidade de impedir o restabelecimento da transmissão, recomendando que o diretor-geral da OMS certificasse o país como livre da doença.


SITUAÇÃO NO BRASIL

Uma nova atualização epidemiológica da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) revela que a malária avança na região amazônica do Brasil. Em 2016, o país registrou 117.832 casos da doença em nove estados. Em 2017, o número chegou a 174.522, valor que representa um aumento de 48%.

A unidade federativa mais afetada é o Amazonas, com cerca de 74 mil ocorrências da patologia no ano passado. Em 2016, foram aproximadamente 45 mil casos. O segundo estado com maior número de infecções foi o Pará — cerca de 33 mil em 2017, bem mais que os 13 mil identificados em 2016. O Acre registrou cerca de 32 mil casos em 2017, volume significativo, mas que não indica variação muito grande em relação aos 31 mil casos de 2016.

O Tocantins, embora tenha identificado o menor número de casos (71), foi o estado com o maior aumento (223%) em relação a 2016, quando apenas 22 casos foram registrados.

As tendências da região amazônica acompanham a expansão da malária nas Américas identificada pela OPAS em sua atualização epidemiológica. Em 2016, nove países — Colômbia, Equador, El Salvador, Haiti, Honduras, Nicarágua, Panamá e Venezuela — relataram um aumento nos casos da doença. No ano passado, além do Brasil, Equador, México, Nicarágua e Venezuela também notificaram uma elevação do número de infecções.

Diante do atual cenário, a OPAS recomenda que os países da região fortaleçam as ações de vigilância e controle da malária e adverte que as conquistas alcançadas para a eliminação da doença podem ser comprometidas caso essas ações em toda a região das Américas não se efetivem.  No início de 2017, o organismo regional alertou seus Estados-membros sobre o risco de surtos, aumento de casos e mortes em áreas onde a doença é endêmica. A instituição também chamou atenção para o possível reaparecimento da patologia em áreas nas quais a transmissão já havia sido interrompida.

Condições de vulnerabilidade e pobreza são alguns dos fatores que explicam o atual avanço da malária. A agência da ONU ressalta que certas atividades trabalhistas e econômicas, como a mineração, a extração de produtos naturais e a agricultura, aumentam o risco de exposição das populações aos vetores nas áreas com transmissão da doença.

A OPAS aponta ainda que as populações migrantes são grupos particularmente vulneráveis, devido às condições habitacionais e à falta de proteção social.


Lista de municípios pertencentes às áreas de risco ou endêmicas para malária.


Mapa malária

 

RECOMENDAÇÕES


Os países são estimulados a fortalecerem as ações de vigilância e controle da doença, especialmente as medidas relacionadas à detecção precoce de casos, diagnóstico oportuno e o início imediato do tratamento.

A principal ação para controlar a transmissão da malária é reduzir a demora entre o início dos sintomas e o tratamento do caso, bem como realizar ações oportunas de investigação e resposta aos casos.

A OPAS também sugere que o diagnóstico e o tratamento completo com antimaláricos sejam levados para mais perto das comunidades em risco, solicita intervenções complementares de controle vetorial, a garantia de qualidade do diagnóstico parasitológico e evitar a falta de medicamentos.


Acesse a atualização epidemiológica da OPAS.

Malária
Recomendar esta página via e-mail: