Alertas

30/04/2020

Brasil - Monitoramento da febre amarela – 2019/2020

No monitoramento 2019/2020, iniciado em julho de 2019, as detecções do vírus da febre amarela (FA) entre primatas não humanos (PNH) durante os meses que antecederam o verão, sobretudo a partir de novembro de 2019, deram indícios de que sua dispersão pelos corredores ecológicos – estimados a partir dos dados de ocorrência do período anterior – se concretizaria durante o período sazonal (dezembro a maio). Os dados atualizados do período estão apresentados a seguir.

Epizootias em primatas não humanos (macacos) 
No período de monitoramento atual, iniciado em julho de 2019, foram notificados 2.491 eventos envolvendo a morte de macacos com suspeita de FA, dos quais 269 epizootias foram confirmadas por critério laboratorial, 601 foram descartadas, 382 permanecem em investigação e 1.239 foram classificadas como indeterminadas, por não ter sido possível coletar amostras para diagnóstico (Tabela 1, Figura 1). As detecções do vírus amarílico em PNH foram registradas em São Paulo (4), Paraná (226) e Santa Catarina (39) (Figura 2), sinalizando a circulação ativa do vírus nesses estados e o aumento do risco de transmissão às populações humanas durante o período sazonal. Conforme previsão do modelo de corredores ecológicos, a manutenção da transmissão nessas áreas corrobora a dispersão do vírus nos sentidos oeste do Paraná e sudoeste de Santa Catarina, com possibilidade de dispersão para o Rio Grande do Sul.
 
Tabela 1. Epizootias em primatas não humanos notificadas à SVS/MS, por UF do local de ocorrência e classificação, Brasil, julho de 2019 a abril de 2020

FA parte 1
FA parte 2

Figura 1. Epizootias em primatas não humanos notificadas à SVS/MS, por semana epidemiológica de ocorrência e classificação, Brasil, julho de 2019 a abril de 2020*

FA figura1


Casos humanos 
Durante o monitoramento 2019/2020 foram notificados 761 casos humanos suspeitos, dos quais 105 permanecem em investigação (Tabela 2). Foram confirmados 14 casos humanos (Figura 2), todos do sexo masculino à exceção de um dos casos, com idades entre 18 e 57 anos e não vacinados. Ressalta-se que os casos com registro em Santa Catarina (SC) se expuseram em áreas com confirmação prévia de FA em PNH, em localidades nas quais os serviços de vigilância e imunização haviam realizado busca ativa e vacinação de indivíduos não vacinados. A recusa em tomar a vacina tem favorecido que indivíduos expostos em áreas com transmissão adoeçam, com risco de óbito, visto que a FA apresenta elevada letalidade. Assim, é de extrema importância que a população considere o risco atual, atendendo aos alertas dos serviços de saúde, para que se possa prevenir a ocorrência de casos, óbitos e surtos de maior magnitude. Nesse contexto, os meios de comunicação desempenham papel fundamental na divulgação de alertas e recomendações à população, favorecendo a adesão às medidas de prevenção, sobretudo à vacinação, que constitui a medida mais eficaz de proteção contra a doença.

Figura 2. Distribuição das epizootias em primatas não humanos e dos casos humanos confirmados para febre amarela no Brasil, por município do local provável de infecção e/ou de ocorrência, entre julho de 2019 e abril de 2020

FA figura 2


Tabela 2. Casos humanos suspeitos de febre amarela notificados à SVS/MS, por UF do local provável de infecção e classificação, Brasil, julho de 2019 a abril de 2020

FA tabela 2



Fonte: Ministério da Saúde

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