Notícias

03/07/2018

Sarampo no Brasil - atualização



Sarampo Brasil 2018


O estado de Roraima vem recebendo imigrantes venezuelanos, alojados em abrigos, residências alugadas e praças públicas. A Venezuela enfrenta um surto de sarampo que já atingiu nove do 23 estados. O município de Caroní localizado no estado de Bolívar, até o momento confirmou o maior número de casos da doença.

Em 14/02/2018, a Secretaria de Saúde do Estado de Roraima (SES/RR) notificou ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) do Ministério da Saúde um caso suspeito de sarampo, no município de Boa Vista/RR. Tratava-se de uma criança, um ano de idade, venezuelana, não vacinada, que apresentou febre, exantema, acompanhado de tosse, coriza e conjuntivite, sendo confirmado por critério laboratorial.

Até o dia 20/06, foram notificados 412 casos suspeitos da doença, dos quais 245 em Boa Vista, 66 em Amajari, 65 em Pacaraima, 13 em Cantá, 09 em Rorainópolis, 06 em Caracaraí, 03 em Alto Alegre, 02 em Iracema e 01 em Caroebe, Uiramutã, São João da Baliza. Dentre os 412 casos, doze foram atendidos e notificados no Brasil, no entanto, residem na Venezuela nos municípios de Gran Sabana (09), Ciudad Bolivar (01), Maracaibo (01) e Sinfotes (01).

Do total de casos notificados, 35 foram descartados, 200 foram confirmados e 177 estão em investigação. Em relação aos 200 casos confirmados, 133 (66,5%) são venezuelanos, 65 (32,5%) são brasileiros, 01 (0,5%) caso é procedente da Guiana Inglesa e 01(0,5%) da Argentina.

A faixa etária mais acometida pela doença em brasileiros foi de 6 meses a 4 anos de idade representado 37 (56,9%) casos. Já na população Venezuelana, o maior número de casos está concentrado na população de 1 a 9 anos de idade, representando 67 (50,4%) casos. Foi confirmado apenas um caso procedente da Argentina, estando na faixa etária de 20 a 29 anos, e um caso procedente da Guiana Inglesa, na faixa etária de 10 a 14 anos. Dos casos confirmados 85 (42,5%) são indígenas.

Dos casos que permanecem em investigação, 102 são brasileiros, 74 venezuelanos e 01 da Guiana Inglesa. A faixa etária destes casos concentra-se, na população brasileira, de 06 meses a 4 anos de idade (76 casos - 74,5%) e, na população venezuelana, de 1 a 9 anos de idade (31 casos - 41,9%). O caso em investigação da Guiana Inglesa está na faixa etária de < 6 meses. Dos casos em investigação, 49 (61,2%) são indígenas.

No Estado do Amazonas, os últimos casos confirmados de sarampo foram registrados no ano de 2000. Contudo, no período de 06 de fevereiro a 20 de junho de 2018, foram notificados 1.756 casos, dos quais 263 (15,0%) foram confirmados, 125 (7,1%) descartados e 1.368 (77,9%) permanecem em investigação. Todos os casos confirmados são brasileiros e o genótipo identificado foi o D8, idêntico ao que está em circulação em Roraima e Venezuela.

O aumento no número de casos confirmados de sarampo no estado do Amazonas ocorreu em razão das orientações para encerramento de casos suspeitos de sarampo – de residentes no município de Manaus – a partir dos resultados laboratoriais liberados pelo Lacen/AM, conforme a Nota Informativa nº 33/2018-CGDT/DEVIT/SVS/MS. Todos esses casos confirmados foram notificados durante o período do surto, ou seja, de fevereiro a junho deste ano.

Dentre os 1.756 casos notificados de sarampo, 1.441 (82,1%) são residentes de Manaus, 256 (14,6%) de Manacapuru, 06 (0,3%) de Humaitá, 08 (0,5%) de Parintins, 07 (0,4%) de Iranduba, 05 (0,3%) de
Tefé, 06 (0,3%) de Novo Airão e 27 (1,5%) residentes de Anori, Beruri, Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo, Maués, Coari, Eirunepé, Itacoatiara, Itapiranga, Jutaí, Juruá, Lábrea e São Gabriel da Cachoeira. Todos os casos notificados são brasileiros.

Considerando as características sociodemográficas dos 1.756 casos notificados, 922 (52,5%) são do sexo masculino, e todos são brasileiros, sendo apenas 1 caso em indígena. Em relação à faixa etária, o maior número de casos notificados se concentra na população de 1 a 4 anos de idade e de 20 a 29 anos, representando 784 (44,6%) casos. Dos 263 casos confirmados, 136 (51,7%) são do sexo masculino e 127 (48,3%) são do sexo feminino. Em relação aos 1.368 casos que permanecem em investigação, 718 (52,5%) são do sexo masculino, estando o maior número de casos concentrados na população de 20 a 29 anos de idade, representando 333 (24,3%) casos.

Resposta de saúde pública


As ações implementadas incluem:

Os estados de Roraima e do Amazonas iniciaram uma campanha de vacinação. Vigilância epidemiológica intensificada através de busca de casos institucionais ativos e retrospectivos, rastreamento de contatos e monitoramento de contatos foi implementada. Rede de laboratórios reforçada. uma estratégia de comunicação de risco foi implementada. Treinamento de profissionais de saúde no gerenciamento de casos.

No Estado de Roraima, desde a notificação dos casos suspeitos de sarampo, ações de vacinação vêm sendo implementadas contra a doença e, no período de março a abril de 2018, todos os municípios roraimenses realizaram campanha seletiva das pessoas na faixa etária de seis meses até 49 anos. Considerando o público alvo de cerca de 409 mil pessoas, 189.154 indivíduos (46% do grupo) tiveram a situação vacinal avaliada, sendo administradas 112.971 doses da vacina tríplice viral. As ações de vacinação no Estado continuam sendo executadas com a busca ativa de pessoas do grupo alvo ainda não vacinadas. Do total de pessoas avaliadas quanto à situação vacinal, 60% (113.463/189.154) eram não vacinadas ou estavam com esquema de vacinação incompleto.

No Amazonas, a campanha de seguimento contra o sarampo foi antecipada, ocorrendo no período de 14 a 27 de abril. No entanto, a vacinação deste grupo continua em andamento no município e, conforme os dados consolidados até 18/06/2018, foram vacinadas 155.510 crianças, alcançando uma cobertura de 81,17% do público alvo.

Avaliação de risco da OMS


O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa que afeta indivíduos suscetíveis de todas as idades e continua a ser uma causa de morte entre crianças de todo o mundo. O vírus do sarampo é transmitido através de gotículas do nariz, boca ou garganta de pessoas infectadas. Os sintomas iniciais, que aparecem 10 a 12 dias após a infecção, incluem febre alta, geralmente acompanhada por um dos seguintes sintomas: nariz escorrendo, olhos vermelhos, tosse e pequenas manchas brancas no interior da boca. Vários dias depois, uma erupção se desenvolve, começando na face e pescoço superior e gradualmente se espalhando para baixo.

Um paciente é infeccioso quatro dias antes do início da erupção a quatro dias após o aparecimento da erupção cutânea. Não há tratamento antiviral específico para o sarampo, e a maioria das pessoas se recupera dentro de duas a três semanas. O tratamento de casos inclui administração de vitamina A e antipiréticos, e medicação antibiótica e antidiarreica, conforme necessário. Entre as crianças desnutridas e as pessoas com maior suscetibilidade, o sarampo pode causar sérias complicações, incluindo cegueira, encefalite, diarreia grave, infecção no ouvido e pneumonia. O sarampo pode ser prevenido pela imunização.

A Região das Américas foi declarada livre de sarampo em setembro de 2016, no entanto, os surtos causados por casos importados de outras regiões podem ocorrer esporadicamente. O risco de disseminação em nível nacional no Brasil continua elevado devido à situação epidemiológica e ao alto potencial de transmissão. Os principais desafios são a cobertura vacinal entre os imigrantes e a capacidade de diagnóstico laboratorial nas instalações locais. Devido à transmissão contínua, estratégias de vacinação e outras ações estão sendo implementadas para controlar o surto por autoridades locais e federais no Brasil.

VIAJANTES


Após a introdução da vacinação contra o sarampo a incidência da doença reduziu drasticamente, no entanto epidemias podem ocorrer a cada 2 ou 3 anos nos países onde a cobertura vacinal é baixa como é o caso de alguns países da Europa, África e Ásia .

Neste sentido, reforça-se que viajantes com destinos internacionais procurem um posto de saúde pelo menos quinze dias antes da viagem, para serem avaliados e vacinados, caso necessário, conforme as indicações do Calendário Nacional de Vacinação. Profissionais da área de turismo, profissionais dos portos, aeroportos e fronteiras, aeroviários, taxistas, funcionários de hotéis e outros profissionais que atuam diretamente com turistas devem estar com a situação vacinal atualizada conforme as indicações do Calendário Nacional de Vacinação.

Turistas estrangeiros que tenham como destino o Brasil recomenda-se que sejam vacinados contra o Sarampo conforme o Calendário de Vacinação do seu país de origem antes da viagem.


Sarampo
 
 
Sarampo
 
 
 

Fonte: Ministério da Saúde

Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.