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14/01/2018

Raiva humana

CASOS NO AMAZONAS

A equipe de controle de endemias do Distrito Sanitário Especial Indígena Médio Rio Purus (DSEI MRP) realizou uma ação de imunização antirrábica de cães e gatos nas aldeias da região, após o recebimento da notificação de dois casos suspeitos de raiva humana, em novembro, na Reserva Extrativista do Rio Unini. Os registros ocorreram após 15 anos sem casos da doença no Amazonas.

Segundo o Ministério da Saúde, no dia 16 de dezembro, a ação de imunização chegou ao Polo Crispim, que concentra a maior parte da população atendida pelo DSEI MRP. Após cinco horas de viagem de barco, a partir da sede do Distrito, o agente de controle de endemias conseguiu encontrar os animais a serem imunizados com a ajuda da comunidade. De acordo com o responsável técnico em endemias do DSEI MRP, esta é a primeira atuação dos agentes com o foco na prevenção da raiva. Em ação autônoma, o DSEI pactuou com a Secretaria Municipal de Saúde de Lábrea (AM) a utilização das doses de vacina antirrábica voltadas para proteção das comunidades indígenas e de difícil acesso. As próximas ações estarão condicionadas à disponibilidade da vacina. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Amazonas recebeu, entre janeiro e novembro de 2017, quase 25 mil doses de vacina antirrábica humana e 490 mil doses de vacina antirrábica canina.
 
Um adolescente de 14 anos internado na Fundação de Medicina Tropical (FMT), em Manaus, com quadro de encefalite viral - infecção aguda no cérebro causadas por vírus ou bactéria, é o terceiro caso suspeito registrado no Amazonas em 2017.  O jovem é irmão do adolescente de 17 anos e da menina de 10 anos, que morreram com diagnóstico confirmado de raiva humana. Esses são os primeiros casos da doença registrados no Amazonas desde 2002, quando duas pessoas morreram em decorrência do vírus rábico.

A suspeita de raiva humana foi levantada por conta do histórico dos pacientes com mordida de morcego. Familiares relataram que os irmãos mortos haviam sido atacados pelo animal na comunidade Tapira, no Rio Unini, zona rural de Barcelos, onde residiam. O Instituto Evandro Chagas confirmou Raiva Humana em diagnóstico do adolescente de 17 anos, que morreu no dia 16 de novembro, no Hospital 28 de Agosto, em Manaus. Duas semanas depois, a irmã do adolescente, de 10 anos, morreu com diagnóstico de raiva humana. Ela também estava internada na capital. No dia 02 de dezembro, um outro adolescente, da mesma família, foi internado em Manaus com sintomas da doença. Os pacientes são oriundos da comunidade de Tapira, no rio Unini, em Barcelos, município a 401 quilômetros de Manaus.

CURITIBA

O número de morcegos diagnosticados com raiva em Curitiba cresceu cinco vezes em 2017 em relação ao ano anterior. De acordo com a Unidade de Vigilância em Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), foram 10 casos de contaminação contra apenas 2 em 2016.

Esse crescimento veio acompanhado de uma maior aparição do animal na área urbana. Ao longo de todo o ano passado, a secretaria atendeu quase 400 casos em residências, sobretudo em bairros como Ahú, Boa Vista e Cidade Industrial. A explicação para a maior incidência nessas regiões é a concentração de focos de luz artificial, uma vez que os morcegos são atraídos pelos os insetos que aparecem por conta da luz artificial das residências durante a noite. Em bairros residenciais de grande aglomeração são mais focos de luz e, consequentemente, mais insetos.

Outra explicação é a própria arquitetura da cidade. Morcegos procuram locais com mais prédios, forros e tubos de ventilação com temperatura e umidade semelhante às de rochas e cavernas onde o animal normalmente vive na natureza. Os animais não trazem perigo imediato ao homem e representam um papel importante no controle da população de insetos. Por esse motivo não devem ser mortos. Existe preocupação em relação aos animais domésticos — os principais afetados com a raiva, porque, quando os morcegos estão infectados, ficam desorientados e caem durante o voo. É nesse momento que cães e gatos domésticos podem entrar em contato com esses animais e serem contaminados.
 
Se esse é o principal perigo em relação aos morcegos, é preciso ficar atento aos sintomas que possam indicar uma contaminação. Os primeiros sinais de infecção por raiva são: excitação excessiva do animal, fuga da luz e inquietação. Em um segundo estágio, o animal pode apresentar fraqueza nas patas traseiras, dificuldade de engolir — o que provoca a característica espuma na boca do animal — e dores fortes, que provocam irritabilidade até mesmo nos bichos mais mansos. Observados quaisquer desses sinais, o animal deve receber a dose da vacina antirrábica o mais rápido possível.

Ainda assim, o aparecimento de um morcego não é motivo para pânico. O primeiro passo é isolar a área e conter o animal caso esteja no chão, mas sem matá-lo. Para isso, basta usar um recipiente, como um balde. Em seguida, deve-se ligar para o número 156 e solicitar a remoção do morcego. Jamais tentar matar ou capturar o morcego. É nessa hora que muita gente acaba se contaminando. Caso a pessoa entre em contato com o animal, recomenda-se lavar a região afetada com água e sabão e procurar atendimento médico o mais rápido possível para as medidas profiláticas.
 
 
Morcego com raiva
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